Shell busca oportunidade em geração de energia

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

Depois de sair vencedora de três lotes nos leilões do pré-sal, no fim de outubro, a gigante petrolífera anglo-holandesa Shell está de olho em oportunidades de aquisições na área de geração de energia do Brasil. A iniciativa está em linha com a estratégia do grupo em relação à transição energética global, adotada por outras petroleiras. "Estamos olhando negócios. [Pode ser] aquisição ou oportunidade de desenvolvimento em conjunto", afirmou o presidente da Shell no Brasil, André Araujo, após participar de evento na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Segundo ele, o interesse da companhia é em geração de energia como um todo. Araujo disse não haver um prazo previsto para a conclusão de algum negócio do tipo no país. Segundo ele, a Shell está interessada em investir em geração de energia, mas não há um "desespero" para fechar rapidamente alguma operação só para mostrar ao mercado. Na área de energia, a Shell obteve este ano a aprovação pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a atividade de comercialização de energia elétrica. Com relação às áreas arrematadas nos leilões do pré-sal deste ano, Araujo contou que a empresa quer acelerar o desenvolvimento da área de Gato-do-Mato, na Bacia de Santos, da qual a companhia já era dona de uma parte e adquiriu este ano a extensão da área. "Queremos fazer a primeira perfuração em Gato-do-Mato em 2019", explicou. Segundo o executivo, estão mantidos os planos de investir US$ 2 bilhões ao ano até 2020 no Brasil, onde a empresa já produz cerca de 330 mil barris diários de petróleo (incluindo áreas em que não é operadora). Para o período depois de 2020, a companhia vai "refazer seus números", disse ele, devido às aquisições nos leilões do pré-sal. Nas licitações, a Shell arrematou como operadora a extensão de Gato-do-Mato, junto com a Total, e a área de Alto de Cabo Frio Oeste, em parceria com QPI e CNOOC. A empresa também venceu a concessão da área de Entorno de Sapinhoá, em sociedade com Petrobras (operadora) e Repsol Sinopec. O executivo sinalizou ainda que a companhia aguarda a aprovação do regime especial aduaneiro Repetro, pelo Congresso, e a publicação, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de resolução regulamentando o "waiver" com relação ao conteúdo local de contratos de concessão anteriores a este ano, para concluir a contratação da primeira plataforma de produção em larga escala do campo de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. A Shell possui 20% no consórcio dono da área, em parceria com a Petrobras (operadora, com 40%), Total (20%), CNPC (10%) e CNOOC (10%).