Para Temer, "há unidade absoluta no governo "

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

Horas antes da demissão do ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), o presidente Michel Temer sinalizava no Rio que não haveria uma reforma ministerial, em função de dissensões na base governista. Durante discurso, o presidente disse que "não há uma desintegração sequer no nosso ministério" e que "há uma unidade absoluta" no governo. Em evento de lançamento do Programa Emergencial de Ações Sociais para o Rio de Janeiro, realizado no centro de educação da Marinha, no Rio, Temer disse que conduz seu governo com diálogo com o Congresso e a sociedade. "O Brasil quer paz, o Brasil quer isto que nós estamos vivendo no dia de hoje", disse. O programa lançado pelo governo prevê investimentos de R$ 157 milhões para estimular a participação de jovens em atividades esportivas, culturais e de tecnologia para prevenir a violência na capital carioca. A ideia é atender a 50 mil crianças e adolescentes inscritos no Cadastro Único de programas sociais do governo federal. Cotada para deixar o governo, a ministra dos Diretos Humanos, Luislinda Valois (PSDB), ao discursar para uma plateia de jovens no evento, disse que reconhece a importância do programa. "Como mulher preta, pobre e da periferia, conheço o que é viver fora dos grandes centros", disse a ministra. No início do mês, veio a público pedido de Luislinda pediu para acumular seus rendimentos como desembargadora aposentada e ministra, o que resultaria num montante de R$ 61 mil, acima do teto do funcionalismo. Desgastada diante da repercussão negativa de sua solicitação, Luislinda recuou. Já em Brasília, na cerimônia de entrega das primeiras unidades do Cartão Reforma, última cerimônia com a presença de Bruno Araújo, Temer comparou as obras em construção civil, que fazem barulho e incomodam, com a reforma da Previdência Social, afirmando que ao final todos ficam satisfeitos. Ele reforçou o discurso de que a reforma da Previdência não vai retirar direitos, e sim, cortar privilégios. "Toda vez que fazemos reforma, a casa fica feia, tem problema, fica suja de areia, o vizinho reclama, os filhos reclamam do quarto de brinquedos, mas, quando termina, a casa fica um brinco, bonita, agradável, confortável", disse Temer. Temer entregou os cartões-reforma - que garantem R$ 6 mil a fundo perdido para pequenas obras - a famílias de Caruaru, interior de Pernambuco, base de Bruno Araújo. Ele usou o mote da reforma na construção civil para voltar a defender a aprovação da reforma da Previdência e citou a parceria com o Congresso, lembrando que tem "diálogo" com os parlamentares. Segundo Temer, as mudanças previdenciárias, na verdade, cortarão privilégios, como os de trabalhadores da iniciativa privada que levam mais tempo para se aposentar que o servidor público. "Na nossa reforma [previdenciária], quando a casa ficar pronta, todos vão aplaudir", concluiu. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aproveitou a cerimônia para ressaltar o desempenho da economia e reafirmar que o Brasil está vivendo um momento de recuperação. De acordo com o ministro, o Brasil já passou pela pior recessão de sua história. Ele destacou que os investimentos em máquinas e equipamentos estão "crescendo fortemente", mas a construção civil está "um pouco atrás". De acordo com Meirelles, o governo está trabalhando intensamente para reativar o mercado da construção civil. Ele citou a melhoria do crédito como um todo e especificamente o imobiliário. "O Cartão Reforma se insere nesse trabalho do governo, com componente social", afirmou, explicando que a política tem uma transferência progressiva, beneficiando camadas da população que mais precisam e melhorando a distribuição de renda no país.