Temer reafirma que reforma da Previdência vai cortar privilégios

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

BRASÍLIA - Na solenidade de entrega do cartão-reforma, o presidente Michel Temer (PMDB) comparou as obras em construção civil, que fazem barulho e incomodam, com a reforma da Previdência Social, afirmando que ao fim todos ficam satisfeitos. Ele reforçou o discurso de que a reforma da Previdência não vai retirar direitos, e sim, cortar privilégios. O pemedebista entregou cartões-reforma - que garantem R$ 6 mil a fundo perdido para famílias fazerem pequenas obras em suas casas, - a famílias de Caruaru, interior de Pernambuco, base eleitoral do ministro das Cidades, Bruno Araújo. "Toda vez que fazemos reforma, a casa fica feia, tem problema, fica suja de areia, o vizinho reclama, os filhos reclamam do quarto de brinquedos, mas quando termina, a casa fica um brinco, bonita, agradável, confortável", comparou Temer. Ele usou o mote da reforma na construção civil para voltar a defender a aprovação da reforma da Previdência e citou a parceria com o Congresso, dizendo que tem "diálogo" com os parlamentares. Ele ainda afirmou que vai rebater supostas "mentiras" sobre o assunto, como de que "as pessoas se aposentarão aos 95 anos". Segundo Temer, as mudanças previdenciárias, na verdade, cortarão privilégios, como os de que trabalhadores da iniciativa privada levam mais tempo para se aposentar que o servidor público. Construção No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que o governo tem trabalhado "intensamente" em vários temas relacionados à construção civil. O setor é um dos que não engataram uma recuperação, ao contrário da indústria, por exemplo. "O investimento na construção civil está um pouco atrás, o que é normal. É normal que demore mais porque há a fase de planejamento", afirmou. Segundo ele, o Cartão Reforma se insere no trabalho do governo de estimular o setor, além de ter um caráter "social". "É uma política que os economistas chamam de transferência progressiva, beneficiando camadas que precisam de fato. Este programa contribui para a melhora da distribuição de renda." De acordo com Meirelles, o governo está trabalhando para reativar o mercado da construção civil e citou a melhoria do crédito, especificamente o imobiliário. Meirelles aproveitou o discurso para ressaltar, mais uma vez, o desempenho da economia e reafirmar que o Brasil está em recuperação. "O país está vivendo um momento muito importante, de recuperação da economia, e o incentivo a setores específicos neste momento é muito importante", disse. Segundo Meirelles, a economia passou a registrar crescimento no início do ano e se consolidou ao longo de 2017. Segundo Meirelles, com a retomada, é normal que existam diferenças setoriais, com alguns segmentos crescendo mais que os outros. Neste sentido, a equipe econômica faz uma avaliação para estimular setores que não estão na mesma trajetória. Ele exemplificou com agricultura, que teve safra 30% superior à do ano passado e ganho de produtividade. "É um setor que inequivocamente está se comportando de forma extremamente saudável e produtiva", disse. Nos setores industrial e de serviços, também há crescimento, afirmou Meirelles. Ele ainda destacou a alta no consumo das famílias, em especial de bens duráveis. "O crescimento no consumo de duráveis é sinal de confiança e de funcionamento do crédito". No caso dos investimentos, o ministro destacou que aquele em máquinas e equipamentos também está crescendo.