Zaque afirma que deixou governo por causa de grampos; juiz derruba sigilo - veja vídeos

Publicado em 09/02/2018 por A Gazeta - MT

João Vieira

Arrolado como testemunha  no processo contra 5 policiais militares envolvidos no esquema de interceptações clandestinas operado em Mato Grosso, que supostamente ocorreu a mando do 1° escalão do governo Pedro Taques (PSDB), o promotor de Justiça, Mauro Zaque, afirmou que deixou o cargo como secretário estadual de Segurança Pública porque ouve falta de apuração do caso já que estava muito claro que acontecia "barriga de aluguel".

Zaque presta depoimento na audiência que está em andamento na 11ª Vara Militar, no Fórum de Cuiabá. O juiz Murilo Mesquita de Moura, responsável pelo caso, determinou o levantamento do sigilo judicial do processo a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), de modo que a imprensa agora pode acompanhar os desdobramentos bem como as audiências. 

A denúncia sobre as interceptações telefônicas surgiu em maio do ano passado, quando Zaque relatou que encaminhou um ofício ao governador informando a existência da central de escutas telefônicas clandestina com a participação de membros do Executivo, conforme constava numa denúncia anônima que ele tinha recebido. Porém, o governador alegou que pediu ao então secretário que registrasse tudo no papel.

              

Na época, Taques argumentou que enquanto governador não poderia investigar qualquer pessoa e por existir no ofício, em tese, fatos ilícitos atribuídos aos policiais também não poderia mandar a PM investigar.

"Eu na condição de secretário, eu não podia e nem devia investigar aqueles fatos. Eu fiz o relatório e comuniquei porque estava muito claro que estava havendo barriga de aluguel. Eu encaminhei pra cobrar uma investigação. Eu não vislumbrei nenhuma investigação, depois eu pedi pra sair. Então, a falta de apuração foi o fator para que eu deixasse o governo", afirmou.

Ainda no depoimento, Zaque disse que assim que teve acesso aos documentos das interceptações feitas pela inteligência da PM, passou a salvar alguns números no celular dele. Depois disso, percebeu que vários contatos já tinha salvo no aparelho.

São réus no processo os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco, Januário Antônio Edwiges Batista e Ronelson Jorge de Barros, além do cabo Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior.  Eles são processados pelos crimes de ação militar ilícita, falsificação de documentos, falsidade ideológica e prevaricação, previstos na Legislação Militar. A procedência ou não dos crimes apontados será julgada pelo Conselho Especial de Justiça, composto por quatro coronéis, e responsável por promover os atos do processo.

                 

10h - Denúncia anônima- Sobre o momento exato em que descobriu o caso, Mauro Zaque afirma que chegou um envelope sem identificação ao seu gabinete junto com outras correspondências. No envelope estava um documento sem protocolo. Argumenta que não investigou o remetente porque sabia que a pessoa que enviou estava tentando se proteger e também proteger a fonte da informação. E também, segundo ele, porque focou no conteúdo da denúncia e enquanto secretário não tinha poder de investigação.

Um dos contatos do Zaque grampeado foi o Carlinhos Bergamasco. O promotor de Justiça afirma que chegou a ir até o município de Cáceres conversar com o juiz Jorge Alexandre que autorizou as interceptações para descobrir se o magistrado sabia do esquema de escutas na modalidade barriga de aluguel. "Ele se mostrou muito chocado, que foi enganado, se mostrou muito preocupado", detalha Zaque.

10h17 - Próxima testemunha a ser ouvida é a advogada Gisele Bergamasco, filha do Carlinhos Bergamasco, que está entre os contatos grampeados. Em depoimento a testemunha afirma que ficou sabendo dos grampos pela imprensa. Ela trabalhava na Casa Militar desde 2005, e teria pedido exoneração do cargo em 2015 por questões salariais. No órgão, atuou como assessora técnica e secretaria executiva do Comitê de Conflitos Fundiários.

Ao juiz, Gisele conta que recebeu uma mensagem de Sílvio César Correa Araújo, ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, sem partido,pedindo ajuda para tirar um passaporte. Ela não atendeu as mensagens nem ligações. Mas, deu print e passou para o coronel chefe.

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