Governo investe nos indecisos para conseguir fechamento de questão

Publicado em 07/12/2017 por DCI

07/12/2017 - 05h00

Governo investe nos indecisos para conseguir fechamento de questão

Até o início da noite de ontem (6), apenas dois dos sete partidos da base aliada prometeram obrigar os seus parlamentares a votar pela aprovação do texto da reforma previdenciária

Na manhã de ontem, Temer recebeu líderes da base em mais um esforço de convencimento pró-reforma
Na manhã de ontem, Temer recebeu líderes da base em mais um esforço de convencimento pró-reforma
Foto: Alan Santos/PR

Brasília - O governo corre contra o tempo para tentar convencer os deputados indecisos de sete partidos da base aliada e, assim, reverter a baixa adesão ao fechamento de questão pela reforma da Previdência.

Até o fechamento desta edição apenas um partido, o PTB, com 16 votos, havia fechado questão pela aprovação da reforma, além do PMDB, que vai "obrigar" o voto, mas não definiu punição aos eventuais rebeldes.Ao menos cinco legendas da base - PSD, PP, PR, PRB e DEM, tinham votos em aberto. Sem contar com o PSDB.

Previsões não oficiais somavam 270 votos garantidos, mas a ordem do presidente Michel Temer era a de fazer um esforço concentrado para alcançar 290 deputados dispostos a aprovar a medida. Com a meta de votar a Previdência na próxima semana, o Planalto usa suas últimas cartas para convencer indecisos.

"Se chegarmos aos 290 votos no final do dia, teremos todas as condições de ganhar na semana que vem. Aí será gerado um efeito manada, com a sensação de vitória, e isso irá garantir os votos que faltam até a votação", disse o vice-líder do governo, deputado Beto Mansur (PRB-SP), após café da manhã no Alvorada com Temer e líderes.

Desgaste

O convencimento, no entanto, é tarefa difícil. A maioria dos parlamentares fala em "desgaste" na relação. "O governo não fez o dever de casa. Veio com uma proposta de cortar gastos públicos, austeridade, enxugar a máquina. Mas fez o contrário, inclusive com balcão de negócio com emendas, com cargos e ministérios, tudo para barrar a investigação contra o presidente", argumentou o deputado Rocha (AC), do PSDB, ao DCI.

Apesar das críticas, Temer manteve o roteiro. No início da semana, autorizou a liberação de "emendas extras" de R$ 3 bilhões em recursos para os municípios em troca de apoio dos parlamentares. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, inclusive, chegou a condicionar, diretamente, o empenho do dinheiro, em 2018, à aprovação da reforma. "Se a reforma não for aprovada este ano, esse dinheiro não existe."

Propaganda

Com a liberação da propaganda, o Executivo avalia elevar o tom da mensagem para conseguir o apoio popular, fator importante para encorajar o voto dos deputados pela reforma. A publicidade foi liberada, ontem (6). O desembargador Hilton Queiroz, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), entendeu que a proibição era uma "grave violação à ordem pública".

Na semana passada, a publicidade foi vetada pela juíza Rosimayre Gonçalves de Carvalho, da 14ª Vara Federal de Brasília, que considerou a mensagem publicitária muito radical e entender que promoviam a "desinformação".

As propagandas vetadas traziam trechos como "os mais pobres correm o risco de deixar de receber seus benefícios", "não vamos deixar o Brasil chegar na situação da Grécia", "o Brasil não pode quebrar" e "seu voto vai proteger os 80% mais pobres".

Abnor Gondim

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