Joaquim Barbosa ainda enfrenta resistências no PSB para lançar-se à Presidência

Publicado em 17/04/2018 por O Globo

O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa - Nelson Jr. / STF / 4-5-2011

SÃO PAULO - Apesar dos bons números registrados no Datafolha, em que marcou até 10% das intenções de voto, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ainda deve enfrentar dificuldades no PSB para se consolidar como candidato a presidente da República. Segundo integrantes do partido, há ainda oposição interna ao nome de Barbosa em estados do Nordeste, e até agora nenhum dos cinco governadores da sigla declarou apoio explícito a ele.

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O próprio ex-ministro ainda não declarou que pretende ser candidato. De qualquer forma, para ter o nome e a foto na urna eletrônica, a avaliação no PSB é que Barbosa precisará conquistar o apoio do grupo de Pernambuco. O estado é ligado à história do partido por causa dos ex-governadores Miguel Arraes (1916-2005) e Eduardo Campos (1965-2014). Afilhado político de Campos, o atual governador do estado, Paulo Câmara, pretende postergar qualquer definição sobre o posicionamento da legenda na eleição presidencial.

Uma questão da eleição local pode acabar influenciando na adesão ou não de Câmara. O governador pernambucano, que na semana passada chegou a ir a Curitiba para tentar visitar o ex-presidente Lula na cadeia, quer que o PT retire a candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo estadual. Neta de Miguel Arraes e prima de Campos, ela é vista como uma ameaça à reeleição do atual governador. Nas conversas, o PT tem cobrado uma sinalização de apoio do PSB na eleição presidencial ou, pelo menos, um não comprometimento com adversários do PT, para intervir contra a candidatura de Marília em Pernambuco.

Já o governador de São Paulo, Márcio França, que inicialmente se mostrava um opositor ferrenho a Barbosa, já começa a mostrar conformismo com o novo nome. França chegou a ser apontado como articulador no PSB de uma pré-candidatura de Aldo Rebelo, o que serviria para inibir a filiação do ex-ministro ao partido. Com a entrada de Barbosa, foi Aldo quem deixou o PSB. Agora, os aliados do governador paulista reconhecem que, se Barbosa crescer mais nas pesquisas, será difícil segurar a candidatura.

PALANQUE DUPLO

Se esse cenário se concretizar, França ficaria com dois palanques na eleição presidencial, já que é um entusiasta da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), de quem era vice. França falou até em tentar unir Alckmin e Barbosa.

- Quem sabe até lá não convenço o nosso partido a trabalhar para o Alckmin e quem sabe juntar a figura importante, carismática, do ex-ministro Joaquim? Seria uma grande chapa, fabulosa. Juntaria um pouco da novidade, a altivez, altitude moral do Joaquim - afirmou França, em entrevista à Rádio Bandeirantes.

O presidente do PSB, Carlos Siqueira, reconhece que houve resistências a Barbosa, mas diz que os entraves nos estados já foram superados.


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