Petrobras negocia com Cade venda da Liquigás

Publicado em 14/06/2018 por Valor Econômico

A Petrobras tem mantido conversas com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) antes de fazer uma nova tentativa de venda da Liquigás, empresa de distribuição de gás de botijão (GLP). A companhia foi vendida no ano passado para a Ultragaz, mas a operação foi vetada pelo Cade em fevereiro.

A ideia, agora, é que a nova modelagem de venda já contemple os remédios concorrenciais necessários para que uma nova transação não seja reprovada pelo órgão antitruste. Entre potenciais interessados, a expectativa é que o Itaú BBA, banco que assessora a estatal nesse processo, envie novas cartas convite dentro de duas semanas, depois de se chegar a bom termo com o Cade. Anteriormente, esperava-se que nesta semana fosse dada a partida ao processo, mas a negociação com a autoridade atrasou o cronograma. A Petrobras não comentou.

O grupo Ultra concordou em pagar R$ 2,8 bilhões por 100% do capital da Liquigás, mas a reprovação no Cade, por cinco votos a dois, levou ao cancelamento da transação e ao pagamento de uma multa de R$ 286,2 bilhões à Petrobras. Esse valor, de 10% do valor da venda, constava do contrato de compra e venda como multa a ser paga pela Ultragaz em caso de reprovação regulatória.

O Cade justificou o veto dizendo que a Ultragaz atingiria 40% do mercado de GLP em alguns Estados, elevando a possibilidade de exercer sua posição dominante. A Ultragaz chegou a propor a adoção de algumas medidas para mitigar os problemas, mas foram rejeitadas.

Na avaliação de um especialista em concorrência, mesmo com uma negociação prévia com o Cade, dificilmente a Petrobras poderá vender a Liquigás para uma grande empresa nacional do setor. "O mais provável é que o comprador seja um estrangeiro sem presença nesse mercado", afirmou. "Também é muito difícil o Cade permitir que o ativo seja fatiado para venda a diferentes empresas posicionadas no mercado local, porque lá atrás já não aceitou essa ideia", completou.