Rio Maria defende uma valorização mais justa para os frigoríficos que estão em constante busca pelos 100% de regularidade no TAC da Carne

Publicado em 24/06/2020 por Redação GS Notícias

Em tempos onde o mercado financeiro internacional sinaliza que reavaliará investimentos no Brasil em função do desmatamento na Amazônia, frigoríficos paraenses intensificam práticas de desenvolvimento sustentável

Frig_Rio Maria.jpg

Nas duas auditorias realizadas pelo MPF, frigorífico teve 100% de conformidade

Em 2009, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), o Frigorífico Rio Maria adotou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). “A partir daí, com o monitoramento constante e de ano a ano, houve a proibição de compra de gado de propriedades com desmatamento. Essa ação, consequentemente, não impediu, mas ajudou muito no combate ao desmatamento e trouxe maior credibilidade aos frigoríficos da região que passaram a auditar suas compras”, lembra o gerente de produção da empresa, Carlo Caruccio.

De lá para cá, durante esses 10 anos, o Rio Maria vem desenvolvendo um trabalho para que sua carne tenha a originação de animais provenientes 100% de fazendas em conformidade. Segundo Caruccio, “as ações adotadas pela empresa estão alinhadas com o TAC e refletem o compromisso com a conservação do meio ambiente, trabalhando exclusivamente com fornecedores cujas propriedades são livres de desmatamento, de acordo com o Prodes, o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite”.

Caruccio afirma que “atualmente existe uma preocupação mundial com a questão socioambiental, e todos os clientes também estão engajados neste tema e querem saber a origem da carne que estão levando para suas mesas”. O que se reflete no bom desempenho do Rio Maria nas auditorias do TAC, cujos resultados evidenciam 100% de conformidade nas compras do frigorífico em 2016 e 2017.

“Na auditoria de 2017, com dados de abates do ano de 2016, dos 123,8 mil animais comprados, 100% foram auditados e considerados conformes, ou seja, adquiridos de fazendas regulares. No ano seguinte, dos 127,7 mil animais adquiridos, 93,5 mil foram auditados aleatoriamente, o que resultou em uma pequena margem de bois irregulares, de apenas 19 cabeças, devido a um delay da empresa de monitoramento, na rotina de atualização do Prodes, que ficou 7 dias sem roda”, explicou Caruccio.

Segundo o executivo, “na ocasião, a empresa de monitoramento assumiu a responsabilidade do erro pontual no monitoramento que, após esse fato, teve sua ferramenta melhorada. A auditoria das compras de 2018 e 2019 está em andamento e deve ter o resultado divulgado pelo MPF nos próximos meses. Estamos ansiosos para ver o resultado de todo o setor, querendo acreditar que estão todos em busca do 100% de regularidade. Não quero acreditar que alguém conte com a possibilidade de poder comprar algo irregular, por menor que seja”, acredita.

Para Caruccio, o que falta mudar para que os abates de bois tenham maior conformidade, é ampliar o número de signatários, e que “o TAC considere 100% dos estabelecimentos com SIF, SIE e SIM (selos de inspeção de produtos de origem animal no âmbito federal, estadual e municipal)”. Segundo Caruccio “o mesmo modelo deve ser estendido para todos os estados e passar a valer também para exportação de gado vivo”. Ele também acredita que “a propriedade que tem algum tipo de embargo precisa conseguir meios governamentais para se regularizar e não continuar alimentando um mercado clandestino de bois que vêm de áreas irregulares”.

Caruccio também defende que o MPF tem de reduzir a porcentagem de irregularidades aceita hoje aos frigoríficos, que é de 20%.  “Não achamos justo colocar no mesmo grupo os estabelecimentos que tenham resultado de conformidade 100% junto com os que tenham apenas 80%.  A diferença de critérios na compra é muito grande, o que coloca em dúvida o rigor no controle das compras”.

O MPF, segundo ele, “deve permitir uma margem pequena, de 5% até 10%, somente para possíveis compras que possam gerar divergência de interpretação nas imagens de satélite e ainda ter uma regra clara sobre os critérios mínimos para os laudos de liberação de propriedade, porque existem divergências entre as empresas de monitoramento e isto não deveria ocorrer”. A solução apontada por Caruccio seria o MPF “criar um grupo de lideranças no setor, com um corpo técnico capacitado para orientar as empresas no uso e na escolha de ferramentas de monitoramento com maior precisão”.       

Sobre o Rio Maria - Localizada na cidade de Rio Maria, no sul do Pará, a empresa abate cerca de 150 toneladas de carne diariamente. Desenvolve uma política de conservação da natureza, com o projeto de reflorestamento, onde foram plantadas 60 mil mudas de árvores, sendo 12 mil mudas nativas para recuperação de áreas de preservação permanente. É certificado para exportar carne e miúdos de bovinos "in natura" para China, Egito, Líbia, Congo, Emirados Árabes Unidos, Rússia, Ucrânia, Vietnã, Hong Kong, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela e todos os países da Lista Brasil.