Comemorar com moderação

Publicado em 20/07/2017 por DCI

Nos tempos bicudos atuais, o Brasil não está conseguindo comemorar nem mesmo os seus números positivos. Ou, apenas aparentemente positivos. Caso dos índices negativos de inflação e do saldo da balança comercial deste ano - que além de recorde, colocará o Brasil como o quinto maior superávit comercial do mundo, atrás somente da China, Alemanha, Coreia do Sul e Rússia, segundo previsão recente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Assim como no caso dos preços, que caíram em boa parte por causa da paralisação da economia, ou do baixo consumo das famílias e das empresas, a diferença, a maior, entre as exportações brasileiras e as importações não resultará só de uma boa performance do país no comércio exterior, com a conquista de novos mercados e diversificação da pauta de exportações.

Não há dúvida que US$ 63,2 bilhões de saldo comercial - uma alta de 32,6% em relação ao superávit de 2016 - deve ser comemorado. Mas com moderação. Especialmente porque ele acontecerá depois de cinco anos de quedas consecutivas.

Como alertou o presidente da AEB, José Augusto de Castro, parte do desempenho da balança comercial em 2017 se deve ao baixo crescimento das importações - apenas cerca de 6%, pelas últimas estimativas -, em decorrência da atividade econômica fraca, principalmente da indústria manufatureira, que encolheu a compra, no exterior, de máquinas, equipamentos e insumos, que devem recuar 19,9%, de janeiro a dezembro. As importações de bens de consumo devem crescer apenas 5%, já as de bens intermediários avançará cerca de 7,4%.

Em contrapartida, as vendas do Brasil ao exterior, neste ano, deverão avançar quase 13% no total, puxadas por fatores quantitativos e também relacionados à melhor cotação das commodities no mercado internacional. É o caso, especialmente, dos preços do minério de ferro, petróleo e açúcar. Na quantidade exportada, os destaques foram nos embarques de soja, petróleo e açúcar.