Bandidos entopem bueiros para assaltar em vias alagadas, diz prefeitura

Publicado em 10/01/2018 por O Globo

Ato criminoso? Lixo em bueiro: segundo o COR, uma estratégia para assaltos em alagamentos - Agência O Globo

RIO - Novo chefe executivo do Centro de Operações Rio (COR) da prefeitura, o coronel do Exército Guilherme Lima Torres Sangineto disse nesta terça-feira que, a partir desta quarta, quando cair um temporal na cidade, a Polícia Militar será acionada para garantir a segurança das equipes que trabalham na desobstrução de bueiros. Isso, segundo ele, tem um motivo: bandidos estariam usando sacos plásticos para entupir ralos, com o objetivo de provocar alagamentos e assaltar motoristas e pedestres ilhados.

De acordo com Sangineto, que assumiu o cargo na última quinta-feira, o COR registrou criminosos adotando a estratégia em dois pontos da Avenida Brasil, na altura dos bairros de Acari e Irajá. Ele frisou que, por conta dessas ações, é fundamental que a PM dê apoio à ação de funcionários da Secretaria de Conservação e Meio Ambiente, da Rio Águas e da Comlurb durante tempestades.

O coronel ainda não tem grande experiência em situações de emergência decorrentes de fortes chuvas, mas garante que terá facilidade para comandar a "tropa" de 720 funcionários do COR. A confiança vem do fato de ser oficial do Exército e "caveira".

- Fui o zero-cinco da turma de 1998 do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM - disse, orgulhoso, Sangineto.

O "caveira" enfrentou seus primeiros desafios no COR durante o fim de semana, quando vários pontos das zonas Norte e Oeste ficaram alagados. Ele admitiu que as tempestades de verão andam lhe tirando o sono, e afirmou estar preocupado com a previsão de que, este mês, as chuvas deverão superar em 53,46% a média das precipitações em janeiro nos últimos anos.

Investimentos em ações de prevenção contra deslizamentos e enchentes não foram priorizados pelo município e pelo estado, mas o novo comandante do COR, o terceiro a ocupar o cargo na gestão do prefeito Marcelo Crivella, garantiu estar preparado para enfrentar as dificuldades. Ele vem usando um aparelho para acompanhar o radar meteorológico do Alerta Rio e procedimentos de emergência.

- Há um recurso que permite um acompanhamento em tempo real do radar meteorológico da prefeitura. Núcleos de chuva a um raio de 150 quilômetros da cidade podem ser observados com detalhes. Além disso, o COR conta com um um grupo de WhatsApp composto por meteorologistas do Alerta Rio. Eles sempre postam fotos e análises - contou Sangineto.

SIMULAÇÃO DE ALAGAMENTOS

Antes de ser nomeado, o militar passou os últimos três meses simulando situações de alagamentos e de acidentes durante chuvas. É o que ele chama de "estudos de casos", algo que aprendeu quando era aluno da Escola Superior de Guerra (ESG). Planejando "evitar o caos na cidade", ele estabeleceu como prioridade a atuação de equipes da prefeitura em 378 pontos considerados críticos por serem mais vulneráveis a alagamentos e deslizamentos. O levantamento do município, revelado ontem pelo GLOBO, aponta ainda a existência de 43 áreas consideradas mais críticas.

- Simulamos os cenários mais graves possíveis. Nossa meta, agora, é a desobstrução de vias, como as avenidas Brasil e Borges de Medeiros, com rapidez e segurança - explicou.

Para agilizar a chegada do caminhão responsável pela limpeza dos bueiros, chamado de vac-all, um veículo com uma espécie de aspirador de pó gigante, Sangineto vai usar batedores da polícia, que abrirão passagem para o carro de serviço. Ele também tem cronometrado as ocorrências para saber como melhorar o desempenho das equipes. Na última quinta-feira, Sangineto acompanhou, passo a passo, a ação para escoar um bolsão d'água na Rua Bulhões de Marcial, próximo à Linha Vermelha, em Bonsucesso, que chegou a interditar a via. A água, segundo ele, foi drenada em duas horas.