Bela Gil adere de vez às fraldas de pano para o filho e lança linha "fofa"

Publicado em 14/11/2017 por Folha de S. Paulo Online

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"É a máquina de lavar que trabalha, não você". Quem garante é Bela Gil, que assina uma nova coleção de fraldas e absorventes de pano. A linha resulta de uma parceria dela com a empresa de produtos ecológicos Morada da Floresta e está à venda pelo site, sob encomenda, há 15 dias. O próximo lote tem entrega prevista para 25 de novembro.

Coleção Bela Gil - fraldas e absorventes de pano

"Mesmo com o dia corrido, se você se organiza, não dá trabalho. Você economiza dinheiro e não prejudica o ambiente", diz Bela, respondendo sobre a preocupação mais comum dos pais de bebês pequenos: perder um tempo precioso e o pouco de energia que resta por causa de um punhado de panos sujos.

Vale esclarecer que entre as tradicionais e as novas fraldas de pano, chamadas de "modernas", vai uma boa distância.

As tradicionais são pedaços de tecido quadrados que, dobrados ao meio, envolvem o bebê. Para atá-las ao corpo, são usados alfinetes de gancho ou fitas adesivas. Sobre esses panos é colocada uma calça plástica. Depois de usadas, se desmonta todo o pacote e os itens são lavados separadamente. Essas fraldas são vendidas em pacotes de 5 ao custo de R$ 30.

As modernas são já recortadas do formato de uma calcinha, com elásticos costurados nas bordas e botões para fechar. Há diversos tamanhos e os modelos mais comuns têm duas partes: um revestimento e um miolo com tecido mais absorvente. Um modelo importado da China custa cerca de R$ 30.

O assunto fraldas entrou na vida de Bela há 9 anos, quando nasceu Flor, sua filha mais velha. Mãe de primeira viagem, ela usava na filha fraldas descartáveis e biodegradáveis para qualquer passeio ou saída. Experimentou as fraldas de pano prontas para situações de menos risco, quando ficavam em casa.

As fraldas descartáveis duram demais. Compostas por uma camada exterior de polietileno sintético (derivado de petróleo), podem demorar até 500 anos para se decompor. Há pesquisas e iniciativas de reciclagem. Na Inglaterra uma usina de tratamento transforma fraldas do tipo em telhas e capacetes.

Existem também fraldas com componentes biodegradáveis. A marca brasileira Herbia Baby tem a parte externa feita de bioplástico, produzido a partir do milho e da batata.

Levando em conta de seis a dez trocas por dia, um bebê usa entre 4,5 mil e 7, 3 mil delas desde o nascimento até o período em que começa o desfralde, por volta dos dois anos. Toda essa montanha de material vai para o lixo. No Brasil, na melhor das hipóteses, um aterro sanitário. E, na mais comum, um lixão.

USO INTEGRAL

O tema das fraldas ficou adormecido na vida de Bela até que nasceu Nino, o caçula, há um ano. "Fui lendo sobre o tema ambiental e sobre a saúde do próprio bebê. Me informei mais e resolvi usar fraldas de pano o tempo todo com ele", conta Bela.

"Por causa do canal que tenho no Youtube, muita gente ficou curiosa quando contei sobre isso. Pesquisei e resolvi fazer uma coleção. Eu já sabia exatamente o que gostava e o que não gostava das fraldas que ele usou", diz.

Bela então se juntou a Ana Paula Silva, da Morada da Floresta, detentora de uma Patente Verde pela criação de um modelo original de fraldas, com tecnologia e produtos nacionais. E nasceu a coleção. As fraldas custam R$ 58 e os absorventes, R$ 23.

"As estampas são fofas", diz Bela. Os temas são cenouras, limões e rabanetes e elas foram desenhadas por Julia Bueno, que ilustra também livros e o site de Bela. Além disso, a característica mais importante da Coleção, segundo Bela, é o modelo "tudo em um".

Nele, a parte interna, mais absorvente, é costurada no revestimento, de forma que não há necessidade de montar a fralda antes de usar e, após o uso, tudo é lavado junto.

Outra preocupação foi que depois de usada a fralda pudesse ser enrolada e fechada, evitando vazamentos. "Um dos principais problemas das fraldas de pano é que a maioria delas vaza", disse.

Bela diz que as fraldas de pano hoje não são mais assunto apenas de alternativos.

"Na época que a Flor era bebê, eu era a única que usava entre as mães amigas. Com o Nino, vejo que várias mães usam. Hoje há mais pessoas para conversar, para saber como se usa, para perguntar", conta. "E uma vez que a gente sabe mais, fica mais fácil", conta.

"As pessoas dizem que gasta muita água, mas não é verdade. A feitura de fraldas descartáveis consome muito mais. Elas mobilizam mutos recursos e são usadas uma vez só. É muito desperdício e agride o meio ambiente", diz.

A iniciativa, diz, tem a ver com o que acredita ser essencial no seu modo de vida. " Gosto de ter consciência sobre os meus atos. Viver de maneira política", diz.