Bombas flutuantes vão garantir o abastecimento

Publicado em 11/10/2017 por Jornal da Cidade - Sergipe

Foto: André Moreira/Equipe JC

A situação hídrica de Sergipe é motivo de preocupação. A baixa vazão do Rio São Francisco atingiu a maior defluência da história, operando com 550m³/s, quando a mínima é de 1.300m³/s.  As chuvas que aconteceram no período de inverno, apesar de contribuírem, não tiveram influência na bacia como um todo. Graças a uma parceria entre o Governo do Estado de Sergipe e o Governo do Estado de São Paulo, dois conjuntos de bombas flutuantes chegaram ao Estado para garantir o abastecimento de água para a região da Grande Aracaju. 

 

O superintendente de Recursos Hídricos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Ailton Rocha, afirma que o afluente responsável pelo abastecimento de quase um milhão de habitantes, da região da Grande Aracaju, está passando por uma grave crise hídrica iniciada em 2012, porém a situação está sob controle, segundo ele. 

 

"Não haverá falta de água porque estamos fazendo todo o esforço para garantir o abastecimento. Recentemente, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) fez uma dragagem no ponto de captação do São Francisco para mitigar esse processo de redução de vazão. Agora que chegou no estado mais crítico, foi necessário buscar uma parceria com o governo do estado de São Paulo, para que fossem instalados flutuantes para captar água no canal do rio. Se não fosse isso, notoriamente as captações ficariam comprometidas. Esses flutuantes estão sendo instalados e muito em breve vão estar em operação, e isso é uma segurança de que essa possiblidade de desabastecimento em Aracaju deixe de existir", explica o superintendente. 

 

Segundo Ailton, os dois conjuntos somados têm uma capacidade média de 4m³/s. "Essa é uma capacidade superior ao que o sistema da Adutora São Francisco precisa, o que dá uma garantia no abastecimento", reafirma. 

 

O superintendente acredita que a situação de crise hídrica deve ser passageira, já que muito em breve as chuvas devem voltar a ocorrer nas áreas de recarga do Rio São Francisco, principalmente nos afluentes dos Estados de Minas Gerais e Bahia, onde está 95% do potencial hídrico do São Francisco em Sergipe. 

 

"Mas a preocupação com o Rio São Francisco não é só falta de chuva. É também falta de governança. Há uma exploração muito grande dos afluentes superficiais e subterrâneos nessas áreas do São Francisco que se agrava muito com o desmatamento. O desmatamento representa 48% da bacia do São Francisco e está comprometendo juntamente com a retirada excessiva. Esse rebatimento vem comprometendo toda a bacia até a foz. Mas na foz a biodiversidade é quem sofre o impacto maior", acrescenta.