Carnaval, reciclagem e inclusão

Publicado em 10/02/2018 por O Estado do Maranhão

Carnaval, reciclagem e inclusão
(Foto: Divulgação)

SÃO LUÍS - Pensando na tendência de aumento no consumo de seis tipos de drogas lícitas e ilícitas mais populares nos carnavais em todo Brasil, a campanha #RolêSemVacilo, lançada neste carnaval, tem como alvo promover a redução de danos para pessoas que pensam em usar drogas nos dias de folia.
Entre as personagens mais tradicionais do Carnaval de rua do Maranhão, destaca-se o fofão. Só que, segundo historiadores, a tradição da figura que se caracteriza pelo macacão colorido e folgado de chita e máscara horripilante, com nariz longo, confeccionada a base de papel machê, está se perdendo. Daí a importância da Oficina de Máscaras de Fofão, promovida pelo Grupo Potiguar, em parceria com o CRAs da Vila Luizão. A ação beneficiou 45 jovens da comunidade, com idades entre 8 a 16 anos.
Durante quatro dias, jovens e crianças do bairro participaram ativamente das aulas de confecção de máscaras. Foram ministradas pela artista plástica Kátia Castro, com base na técnica de papel machê, a qual faz uso de cola, tintas e, no lugar do tradicional papel ou jornal, utilizou panfletos, encartes e folderes de propaganda da empresa que seriam descartados no lixo.
"Essa ação reúne, na mesma iniciativa, o resgate cultural de uma prática carnavalesca, a inclusão social de jovens da periferia, arte terapia e sustentabilidade, uma vez que fomentou a reciclagem de materiais utilizados nas lojas do grupo, como a principal matéria-prima utilizada na confecção das belas máscaras de fofão que esse ano serão usadas no Carnaval de rua da Vila Luizão pelos jovens. Estamos orgulhosos em ajudar a manter viva essa tradição e, ao mesmo tempo, dar um exemplo de sustentabilidade", destaca o gerente de Marketing da empresa, Adriano Pestana.
A instrutora Kátia Castro elogiou a iniciativa, que segundo ela vai muito além da sustentabilidade. "É muito importante incentivar a arte, principalmente se for com idosos e crianças, que ganham uma rica oportunidade para interagir socialmente, além de aprenderem novas habilidades e, com elas, terem novas possibilidades de geração de trabalho e renda para suas famílias", enfatizou a artista plástica e professora.

Crianças da Vila Luizão participaram de oficina (Foto: Divulgação)

Ações
Essa não é a primeira ação do Grupo Potiguar com esse intuito e dentro das práticas de sustentabilidade e responsabilidade social. Iniciado em 2017, outro projeto similar é o Oficina de Lonas, que consiste em cursos de costura de lonas que antes eram usadas em banners de propaganda da empresa, e nessas oficinas se transformam em produtos diversos, a exemplo de estojos, bolsas, aventais e sacolas.
O sucesso foi tanto, que o projeto terá continuidade nesse ano. Antes da Oficina de Máscaras de Fofão, a grupo promoveu também uma Oficina de Máscaras Venezianas, que beneficiou um grupo de idosas do bairro Sol e Mar, no início deste mês.

Saiba Mais

A tradição do fofão

Historiadores apontam o Fofão como um personagem de origem europeia, inspirado no Bobo da Corte ou Bufão. Outros pesquisadores afirmam ser oriundo do continente africano. O certo é que essa figura tem como papel se divertir durante o Carnaval de rua, assustando as pessoas que passam.
Além do macacão colorido, com guizos pendurados nas mangas, o Fofão se caracteriza pelo uso de máscaras feitas de papel machê, com um longo nariz e aparência horripilante. Nas mãos, ainda costumam levar uma varinha e uma boneca que seria para atrair a atenção das crianças. Segundo a tradição, quem tocar na boneca tem que pagar algum trocado ao Fofão, ou será perseguido pelo mesmo até o fim das festividades.
A brincadeira de fofão costumava atrair grandes grupos de pessoas de todas as idades, que saiam juntas fantasiadas pelas ruas da capital maranhense nos dias de Carnaval. É uma brincadeira tipicamente maranhense e que deve ser preservada entre as novas gerações.

Máscaras de fofão são tradição a ser preservada no Maranhão (Foto: Divulgação)

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