Caso de jovem baleado na cabeça vira símbolo da violência sem limites em Belém

Publicado em 11/11/2017 por Diário do Pará Online

O caso do jovem atingido com um tiro na cabeça na tarde de quinta-feira (9), em Belém, chocou a população, principalmente após as imagens do crime rapidamente serem compartilhadas pelos paraenses na web. A cena de violência registrada pelas câmeras ontem infelizmente não é um caso raro em 2017 na capital, e o desfecho costuma ser ainda pior para as vítimas que decidem contrariar as principais recomendações de especialistas em segurança, e reagir.

Belém, a cidade das mangueiras, do tucupi e do açaí, também se tornou a cidade da violência, e numa escala mundial. É a 11ª cidade mais violenta do mundo, segundo um ranking elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça.

Crescendo às custas do abandono das políticas públicas, mais de 53.708 roubos aconteceram em Belém (apenas os registrados), segundo dados da Segup (Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará) publicados no último ano. Destes números nasce outra estatística assustadora: a dos latrocínios, e nesse tipo de crime, o Pará está no topo.

Em comparação com os estados brasileiros, o Pará surge como o mais violento na relação entre o número de latrocínios e a população, com 2,6 casos por cada 100 mil habitantes em 2017. Apenas o Pará e outros quatro estados superaram o índice de 2/100 mil: Goiás, Amapá, Amazonas e Sergipe.  A taxa de latrocínios paraense é maior que o dobro da média nacional, que é de 1,2 latrocínios a cada 100 mil habitantes.

Incapaz de solucionar o problema, tanto a prefeitura de Belém como o governo do Estado permanecem escondidos atrás de um discurso inoperante, enquanto a população segue em um estado de paranóia coletiva do medo. Até mesmo os próprios servidores da segurança pública do estado dizem-se cansados, e apesar de todo o esforço, a realidade é que nada podem fazer devido a falência do estado, entregue às chacinas, latrocínios, obras inacabadas e desespero.

SOCIEDADE TOMADA PELO SENTIMENTO DE VINGANÇA

Tomados pela revolta, vários paraenses aproveitaram o caso para manifestar suas insatisfações com o abandono do estado. Nas redes sociais, o sentimento geral foi de vingança, de fazer justiça com as "próprias mãos", comportamentos característicos de lugares sem governo, como o Pará.

"Eu queria que a população tivesse pego ele e fizesse justiça com as mãos. Se soltarem esse vagabundo, faça justiça pra quem soltar ele", comentou um dos leitores do DOL.

Para outro leitor, a capital do Pará virou quintal dos familiares dos governantes. "Belém, cidade "criativa" da gastronomia e da violência sem fim. Segurança e "sustentabilidade", somente para os familiares do Prefeito e Governador", diz o texto.  

(Igor Wilson/DOL)