China puxa novo recorde nas emissões de CO2 neste ano

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

As emissões de dióxido de carbono pela queima de combustível fóssil voltaram a subir após três anos. Serão lançados neste ano na atmosfera 37 bilhões de toneladas de CO2, aumento de 2% em relação a 2016, devido principalmente ao crescimento econômico mais forte da China, segundo relatório do Global Carbon Project, consórcio internacional de pesquisa, divulgado ontem na Alemanha. "Já deveríamos estar reduzindo as emissões globais para podermos alcançar [emissão] zero a tempo de manter a mudança climática sob controle", disse Corinne Le Quéré, professor da Universidade de East Anglia e principal autor do estudo. "Todo ano em que as emissões aumentam significa que teremos de reduzir mais as emissões [no futuro], ou teremos níveis mais altos de mudança climática." Gases de carbono representam apenas 0,4% da atmosfera, mas são os principais do efeito estufa. "O mundo ainda não alcançou o pico de emissões", diz o relatório. Ele aponta que as emissões de CO2 caíram em 22 países que respondem por 20% das emissões globais, mas aumentaram em 101 países que juntos representam 50% da poluição. Estima-se que a China - maior poluidora global - aumentará suas emissões em 3,5% neste ano. Uma das explicações para isso é que a desaceleração econômica da China na primeira parte desta década foi mais acentuada dos que os dados oficiais sugeriram. Incluindo as emissões provocadas pelo desmatamento, 2017 deverá se igualar o recorde de missão de 41 bilhões de toneladas de CO2 registrado em 2015. A China será responsável por 28% desse total. Os EUA, segundo maior poluidor, com 15% do total, reduziram suas emissões em 1,2% ao ano por uma década. Neste ano, o ritmo vai desacelerar para 0,4%, refletindo a alta no uso de petróleo e carvão. Em 2017, o consumo de carvão nos EUA deverá crescer pela primeira vez em cinco anos, cerca de 0,5%. A alta nas emissões de CO2 sugere que o mundo está se afastando do rumo estabelecido pelo Acordo de Paris há dois anos, no qual os países concordaram em limitar o aumento na temperatura global em 20 C em relação ao período pré-industrial. Cientistas alertam que as promessas de redução de emissões dos países não bastam para o cumprimento dessa meta. "As emissões estão seguindo o que os países prometeram, mas o que os países prometeram não está nem perto do suficiente para cumprir os objetivos de Paris", disse Glen Peters, coautor do relatório e diretor do Centro para Pesquisa de Mudança Climática em Oslo.