Confira o editorial deste sábado/domingo: "Importantes e esquecidos"

Publicado em 02/12/2017 por Correio do Estado

Projetos da década de 1970, que canalizaram parte do Córrego Segredo e a totalidade de seu afluente, o Córrego Maracaju, são essenciais para a cidade e devem receber manutenção adequada.

A queda de uma das placas do canal do Córrego Segredo, no Centro de Campo Grande, obra concluída há mais de 40 anos, é mais uma prova de que o descaso de vários gestores que passaram pela prefeitura neste período pode ser mais danoso do que se imagina. Nem mesmo uma obra de qualidade comprovada - pois resistiu ao longo de todo este tempo, sem qualquer manutenção - e de custo elevado é capaz de suportar os efeitos do desprezo dos responsáveis pela infraestrutura do município. 

A forte chuva do último dia 28 de novembro fez com que o já previsto desabamento da estrutura do canal do Córrego Segredo ocorresse. A queda de uma das placas de concreto armado expôs as consequências das décadas de negligência - e também de falta de planejamento - das autoridades das áreas ambiental e de infraestrutura que passaram pela prefeitura de Campo Grande.

O plantio de espécies como mangueira, sibipiruna, entre outras, e o descuido que permitiu o crescimento de vários exemplares de leucena que brotaram no estreito espaço entre a margem do Córrego Segredo e a pista da Avenida Ernesto Geisel, contribuiu para que parte da obra, que nunca sofreu manutenção preventiva, fosse abaixo. Este pequeno canteiro não deveria receber árvores de grande porte, como detalharemos em reportagem publicada nesta edição. As raízes destas plantas exercem forte pressão sobre os resistentes blocos de concreto. O desabamento da semana passada, infelizmente, pode ser só o começo de um sério problema, que poderia ser evitado. 

Além de revisar toda a obra de canalização e reparar os danos causados pela falta de manutenção, o município deverá refazer todo o paisagismo da região, caso queira evitar novos desabamentos. Em um passado distante não havia árvores ao lado do canal. Estas plantas, inadequadas para o local, e que surgiram nos últimos anos, devem ser retiradas. É possível afirmar que esta ação preventiva custaria bem menos aos cofres públicos que a reconstrução do canal do Córrego Segredo.

Os projetos da década de 1970, que canalizaram parte do Segredo e a totalidade de seu afluente, o Córrego Maracaju, são essenciais para a região central Campo Grande. Problemas sérios nestas duas obras causariam prejuízos incalculáveis para a região mais importante da Capital. É necessário cautela e responsabilidade por parte das autoridades responsáveis pelo meio ambiente, infraestrutura e planejamento urbano do município.

Ao prefeito da Capital, Marcos Trad e seus secretários fica o alerta. Os problemas de drenagem não são somente aqueles que estão ao alcance dos olhos. É fundamental que se cuide da estrutura existente no subsolo da zona urbana do município.  Sabemos das dificuldades financeiras que a prefeitura enfrentou nos últimos anos e de suas consequências, mas também entendemos que o investimento em manutenção das obras já existentes deve ser prioritário.