Crescimento do Brasil será maior em 2017 e 2018, projeta FMI

Publicado em 10/10/2017 por O Globo

Fachada do edifício-sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), no centro de Washington. - José Meirelles Passos / Agência O Globo

WASHINGTON - O Brasil foi um dos destaques positivos do relatório "Perspectivas Econômicas Mundiais" (WEO, na sigla em inglês), divulgado na manhã desta terça-feira em Washington. Juntamente com a Rússia, o país foi o que registrou maior variação positiva para as previsões de crescimento no grupo das 16 nações destacadas pelo Fundo. De acordo com a instituição, o país crescerá 0,7% neste ano e 1,5% em 2018, valores, respectivamente, 0,4 ponto percentual e 0,2 ponto percentual que o estimado na última previsão, divulgada em julho.

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"No Brasil, o forte desempenho das exportações e um menor ritmo de contração na demanda doméstica permitiram que a economia voltasse a crescer positivamente no primeiro trimestre de 2017, após oito trimestres de declínio", informou o documento, que ainda responsabiliza a retomada a "uma safra abundante e um impulso para o consumo, inclusive com a permissão dos trabalhadores aproveitarem os recursos do FGTS."

Projeções do FMI para a economia Global

Número entre parênteses mostra diferença entre a previsão

passada, de julho, em pontos percentuais

2017

2018

projeções

Economia Mundial

Países Ricos

Estados Unidos

Zona do Euro

Alemanha

Japão

Reino Unido

Emergentes

Brasil

China

Índia

Rússia

México

América Latina e Caribe

Fonte: FMI

Cidades com maiores

quedas do FPM

Número entre parênteses mostra

diferença entre a previsão passada,

de julho, em pontos percentuaisa

2017

projeções

Economia Mundial

Países Ricos

Estados Unidos

Zona do Euro

Alemanha

Japão

Reino Unido

Emergentes

Brasil

China

Índia

Rússia

México

Am. Latina

e Caribe

3,6% (0,1)

2,2% (0,2)

2,2 (0,1)

2,1% (0,2)

2,0 (0,2)

1,5% (0,2)

1,7 (estável)

4,6% (estável)

0,7% (0,4)

6,8% (0,1)

6,7% (-0,5)

1,8% (0,4)

2,1% (0,2)

1,2% (0,2)

2018

projeções

Economia Mundial

Países Ricos

Estados Unidos

Zona do Euro

Alemanha

Japão

Reino Unido

Emergentes

Brasil

China

Índia

Rússia

México

Am. Latina

e Caribe

3,7% (0,1)

2,0% s (0,1)

2,3% (0,2)

1,9% (0,2)

1,8% (0,2)

0,7% (0,1)

1,5% (estável)

4,9% (0,1)

1,5% (0,2)

6,5% (0,1)

7,4% (-0,3)

1,6% (0,2)

1,9% (-0,1)

1,9% (estável)

Fonte: FMI

O Fundo, contudo, afirma que a incerteza política ainda afeta a economia brasileira. "A fraqueza contínua no investimento e o aumento da incerteza política" fazem com que, mesmo com o recente aumento das projeções, o crescimento esperado para 2018, de 1,5%, ainda seja 0,2 ponto percentual abaixo do que o estimado pelo FMI em abril, quando - antes do escândalo que abateu o governo de Michel Temer - a instituição esperava que o Brasil fosse crescer 1,7% no próximo ano.

- Nossas projeções trazem um fim da recessão no Brasil. Tivemos dois trimestres consecutivos de crescimento positivo, então o Brasil parece ter entrado em um momento de virada. Por conta da instabilidade em andamento no cenário político, em termos de políticas, nossa perspectiva é bastante fraca. Nós esperamos uma recuperação bem abaixo do esperado daqui para a frente - afirmou Oya Celasun, chefe do departamento de pesquisa do FMI.

"Uma reforma gradual da confiança - como reformas fundamentais para garantir a sustentabilidade fiscal serão implementadas ao longo do tempo - deverá aumentar o crescimento para 2% no médio prazo", informou o documento. "No Brasil, abordar a questão das despesas insustentáveis, inclusive com a reforma do sistema de aposentadoria, é prioridade para restaurar a confiança e promover o crescimento sustentado do investimento privado."

O fundo ainda alertou em suas projeções que o desemprego deve fechar 2017 em 13,1% e em 2018 ficará em 11,8%. Por outro lado, a inflação deve fechar 2017 em 3,7% e alcançar 4% no próximo ano. O FMI ainda indica que o real se depreciou em mais de 4% com a flexibilização da política monetária e as preocupações com a agenda de reformas - que foram afetadas pela crise política.

A melhoria no ambiente de negócios no Brasil também foi destacado, bem como os esforços para promover uma redução da corrupção:

"As ações decisivas para melhorar a governança e o estado de direito ajudam a controlar a corrupção, fortalecendo a confiança das empresas e aumentando o investimento em alguns países (por exemplo, Brasil, México e Peru). O fortalecimento das instituições também pode ajudar a reduzir as percepções de risco do país e atuar como uma força de compensação contra um possível aperto das condições financeiras globais", afirma o documento do Fundo, que ainda elogiou os esforços do Brasil para fazer deslanchar seu programa de concessões na área de infraestrutura.