A guardiã do rio Amazonas que luta contra Belo Monte

Publicado em 12/10/2017 por Yahoo Brasil

Alba Santandreu.

São Paulo, 12 out (EFE).- Na região amazônica do Pará, a ativista Antonia Melo da Silva luta há anos contra o que define como um "monstro" chamado Belo Monte, uma gigantesca hidrelétrica que é sinônimo de "destruição e morte", segundo ela, que recebeu nesta semana o prêmio "Alexander Soros Foundation" e concedeu uma entrevista à Agência Efe.

Há mais de duas décadas, Antonia levanta sua voz contra Belo Monte, a segunda maior hidrelétrica do Brasil e que, em sua opinião, é "um modelo falido", que levou à destruição "do rio Xingu e dos seus povos tradicionais".

Cerca de 40 mil pessoas foram tiradas de suas casas nos últimos anos pressionadas pela usina, principalmente os moradores das comunidades tradicionais que vivem nas margens do rio e alguns indígenas, para quem Antonia pede uma "reparação dos danos" causados.

A maior líder popular do Xingu também foi expulsa de casa e, como seus vizinhos, teve que "começar tudo de novo".

"Belo Monte significa destruição e morte. Destrói o rio Xingu e os povos que vivem dele. Joga-os na cidade, fora do seu território, sem respeito, de uma forma ditatorial. As pessoas estão vivas, mas doentes, sem perspectiva de futuro. Representa a destruição da sua memória, da sua forma de vida", afirmou.

A ativista é a fundadora do Movimento "Xingu Vivo Para Sempre", um coletivo de organizações sociais e ambientais da região de Altamira, no Pará, a principal impactada pela construção da hidroelétrica.

No papel desde 1975, Belo Monte começou a ser construída em 2011 sobre o rio Xingu, e sua conclusão está prevista para 2019, embora a usina tenha começado a operar comercialmente de forma parcial em 2016.

Além disso, a justiça suspendeu recentemente a licença de instalação e, como consequência, paralisou as obras para que o consórcio Norte Energia revise o projeto de reassentamento urbano dos moradores que foram desalojados.

Por trás dessa vitória está a luta de Antonia, reconhecida pela Fundação Alexander Soros por seu ativismo em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos.

"Antonia recusou se calar sobre a ineficácia deste projeto, que continuará devastando de maneira irreversível o Amazonas e a vida das pessoas que confiam no rio e na selva para sobreviver nos próximos anos", afirmou Alex Soros, responsável pela fundação criada em 2012 para promover os direitos civis, a justiça social e a educação.

Para a ativista, mãe de cinco filhos, o reconhecimento é fruto "da grande aliança dos povos e das comunidades que se uniram para lutar pelo Xing e pela vida das pessoas do planeta".

"Lutamos para denunciar esse modelo de energia e pedimos responsabilidades. Esse modelo é um modelo falido de destruição", ressaltou.

Além do impacto ambiental, Belo Monte é investigada pela Polícia Federal dentro da Operação Lava Jato por um esquema de corrupção que envolve pagamento de propina em troca do aval para a concessão da hidroelétrica e lavagem de dinheiro.

"Hoje está claro que Belo Monte foi feita para a corrupção, para grupos de políticos e empresas e para destruir sem responsabilidade. Belo Monte não é viável, não há água no rio para gerar turbinas", acusou a ativista. EFE