Morte de abelhas cresce no Brasil e preocupa

Publicado em 13/11/2017 por DCI

13/11/2017 - 05h00

Morte de abelhas cresce no Brasil e preocupa

Segundo pesquisador, número de insetos mortos já supera casa de 1 bilhão e casos continuam aumentando em todo o País; pulverização de agrotóxicos é apontada como uma das causas

Insetos são importantes para a polinização de várias culturas no País
Insetos são importantes para a polinização de várias culturas no País
Foto: Divulgação

São Paulo - O aumento no relato de casos de morte de abelhas no Brasil tem colocado pesquisadores e apicultores em alerta, já que pode afetar a produção de mel e a polinização de diversas culturas.

Preservá-las não é importante somente pela manutenção da produção de mel, mas sobretudo da polinização, fundamental para uma série de culturas, como girassol, melão, café, morango, soja. "Isso representa US$ 6 bilhões por ano só no Brasil", diz o biólogo. "É nossa principal preocupação", diz o biólogo da Embrapa Amazônia Oriental e do comitê científico da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), Cristiano Menezes.

Até dezembro do ano passado, a morte de 1 bilhão de abelhas havia sido notificada por meio de 300 ocorrências no aplicativo Bee Alert. Criado há três anos pelo fundador da Organização de Proteção às Abelhas - Bee or not to bee, Lionel Gonçalves, o aplicativo permite que os apicultores informem a morte de abelhas, o prejuízo estimado e a provável causa. "Esse número é subestimado. Neste ano, o número de casos deverá ser maior, temos recebido tantas ocorrências que não estamos dando conta de processar", afirma Gonçalves.

O dado obtido no Brasil equivale a 20 mil colméias, das quais 87% são de abelhas do tipo apis melifera- abelha que produz mel - e 13% de abelhas sem ferrão (meliponiferas) e será atualizado em dois meses, quando uma tese de doutorado, orientada por Gonçalves, divulgará dados atualizados sobre a questão. O site do aplicativo indicava 309 casos registrados e 24,6 mil colmeias afetadas.

Produtores de 20 Estados notificaram casos por meio do aplicativo, mas, segundo o pesquisador, o maior número de casos ocorre em São Paulo. "É um Estado que tem uma grande quantidade de culturas e com um uso mais frequente de controle com agroquímicos", explica. Ele aponta a pulverização aérea nas lavouras entre as prováveis causas da morte dos insetos. Desmatamentos e queimadas também estão entre as razões.

Menezes, alguns avanços já estão em curso para evitar a morte de abelhas no País. Em fevereiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) publicou a Instrução Normativa Nº 2, que determina a mudança nas regras de registro de agrotóxicos.

O texto prevê que, para que o registro seja concedido, os produtos passarão por uma análise para que seja identificado se eles causam riscos às abelhas. "A ideia é que os produtos sejam banidos isso se confirmar", diz Menezes. "Mas não acredito que o problema esteja na pulverização em si, mas em fazer isso sem seguir as orientações", salienta.

A Apis Flora, empresa que atua com produtos à base de mel e própolis, está desenvolvendo um estudo em parceria com a USP para gerar dados que permitam o fomento à polinização. "Nosso objetivo é que os produtores tenham capacitação e possam fazer um manejo agrícola adequado a partir dessas informações", afirma a Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Andressa Berretta

De acordo com Gonçalves, o Brasil conta com aproximadamente 3 milhões de colônias de abelhas de 3 mil espécies de abelhas. Cada colméia tem em torno de 60 mil abelhas.

Gonçalves estima que a produção brasileira de mel supere as 50 mil toneladas por ano e o que o País tenha 300 mil produtores. No ano passado, o País exportou 24,2 mil toneladas e faturou US$ 92 milhões.

Marcela Caetano

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