Mulher idosa sai em frio congelante para salvar o marido. Ambos morrem

Publicado em 12/01/2018 por Gazeta do Povo

Em uma casa de fazenda de tijolos amarelos, em uma estrada rural no Sudoeste de Ontário, Grant e Ada Triebner viveram uma vida calma juntos. 

Uma coleção de fotografias de família oferece vislumbres de seu casamento de décadas: Ada, posando em seu vestido de baile branco e rendado, e Grant, em seu terno no dia do casamento. O casal feliz segurando crianças, então netos, em seus braços. Ada e Grant trocando um beijo para a câmera em seus últimos anos, seus cabelos grisalhos como testamento de durabilidade do seu amor. Grant tocando violino, andando de moto ou dirigindo um trator ao redor da sua propriedade. 

Foi do lado de fora da amada casa da fazenda no pequeno município de Bluewater, depois de uma noite amargamente fria na semana passada, que Grant e Ada Triebner morreram juntos, com poucas horas de diferença, disse a polícia ao noticiário canadense. 

Grant Triebner foi encontrado morto dentro de um celeiro aberto na sua propriedade coberta de neve na manhã de quarta-feira (03), depois de ter sofrido um "evento médico" fatal, disse a polícia em uma declaração ao Canadian Press

Querendo verificar o marido, disse a polícia, Ada Triebner pisou para fora da sua casa de fazenda e para dentro de um frio gelado, em temperaturas que caíram para cerca de -10ºC. Ela morreu de exposição ao frio extremo, disse a polícia. 

"O gentil e amável marido e pai sofreu um ataque do coração", foi lido no obituário, "e sua amável esposa morreu tentando salvar o amor de sua vida". 

A polícia encontrou o casal durante uma ronda por volta das 9h, na manhã de quarta-feira, e anunciou as causas da morte na quinta. 

Suas mortes aconteceram em meio a um "frio intenso e fora de época que está agarrado ao Sudoeste de Ontário", reportou o jornal local London Free Press. O fim trágico atordoou membros da pequena comunidade rural. Mas sua história também alcançou estranhos de bem longe de Ontário, sublinhando os perigos de temperaturas baixas e pouco comuns que estão atingindo o Canadá e os EUA. 

O município de Bluewater lamentou as mortes dos Triebners no Facebook, e alertou os moradores para que ajudem a proteger seus vizinhos durante esse tempo de frio extremo, "especialmente os que são idosos, os que têm problemas de saúde ou os que simplesmente vivem sozinhos". 

"Vamos cobrir essa comunidade com todo o calor que Bluewater é capaz e vamos nos manter seguros", postou a prefeitura no Facebook

Parentes descreveram os Tiebners como um casal inseparável que amava a igreja, a família e a casa. Antes de ambos se aposentarem, Ada Triebner trabalhou como professora em uma escola, e Grand Triebner como fazendeiro de agricultura intensiva, disse o vizinho de longa data Jim Rowe ao London Free Press. Grant Triebner também dirigiu ônibus escolar, e muitos dos antigos alunos compartilham memórias em notas de condolências no site do funeral

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"Grant foi meu motorista de ônibus por anos", lê-se em uma nota de Jackie Westelaken. "Ele era um homem gentil com um grande senso de humor. Ele sempre tinha boas conversas, já que eu costumava ser a última a ser entregue." 

O casal viveu "desembaraçado em um mundo que, às vezes, tem apetite pela ganância", escreveu a sobrinha Ethel-Lori Triebner em um tributo no London Free Press. 

Ao longo dos anos, eles cuidaram um do outro, superando a morte do filho Mark, em 1987, de fibrose cística. 

Uma amiga da família, Annette Gilbert, relembra em uma nota de pesar na casa mortuária como Grant Triebner estaria "brincando, provocando e rindo durante a terapia de Mark", e como Ada Triebner estaria "ocupada no forno a lenha apenas tentando nos manter longe de problemas". 

"Quando criança, não reconheci o privilégio de ter passado tempo na casa de um casal tão resiliente", escreveu Gilbert. 

"Nossas famílias estiveram ligadas durante os anos 1960, por momentos tristes e momentos felizes", outro amigo da família escreveu no site. "(Agora) seus pais estão com Mark, que os recebe com braços abertos e sorriso diabólico tão parecido com o sorriso de seu Pai." 

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Rowe, o vizinho do casal, lembrou de Triebner como um amante ativo da vida ao ar livre. Ele estava "sempre construindo alguma coisa" e podia tocar muitos instrumentos, Rowie conta. Ele podia ser facilmente encontrado fora de casa, andando em sua moto no verão ou limpando a neve da calçada no inverno. 

Ele estava "sempre gastando tempo com alguma coisa, ele era um mestre em construir coisas, ou em trabalhar em um motor, ou em fazer algo funcionar, ou em consertar um trator velho", conta Rowe. 

Acima de tudo, seus parentes e amigos recordaram, o casal mostrava devoção à sua fé e um ao outro. 

Martha Heywood, membro da mesma igreja, contou ao Toronto Star que Grand tinha problemas médicos e Ada "sofria um pouco" com a demência. "Ele estava determinado de que podia tomar conta da Ada da mesma forma com que ela cuidou dele por todos esses anos", ela disse. 

Uma sobrinha, Elizabeth Jolly, descreveu a "natureza persistente" de Grant Triebner e a "gentil serenidade" de Ada Triebner. 

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"Amávamos muito ouvir aos contos maravilhosos do Tio Grant de dias passados, sua risada barulhenta e Tia Ada dizendo 'Oh, Grant!'", relata outro parente. "Eles eram, para nós, um maravilhoso exemplo de como um casamento deve ser. Eles obviamente adoravam muito um ao outro." 

"Eles não faziam muita coisa longe um do outro", Rowe conta. "Eles eram tão próximos, juntos por toda a vida." 

Nossas convicções:

O funeral aconteceu nesta semana, e o casal foi enterrado no cemitério ao final da rua da casa onde moravam. 

Dividirão a lápide com seu filho Mark. A placa, feita antes que morressem, tem inscrita um versículo da Bíblia: João 11:25. "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que acredita em mim viverá, mesmo que morra."