Novos partidos, velhos métodos

Publicado em 10/10/2017 por Folha de S. Paulo Online

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Desde que a Lei dos Partidos Políticos, de 1995, acabou com a obrigatoriedade de constar a palavra partido no nome das agremiações (um resquício da ditadura), somente em 2007 o PFL decidiu virar Democratas. Hoje, das 35 legendas registradas na Justiça Eleitoral, temos, além do DEM, Solidariedade, Rede Sustentabilidade e, mais recentemente, Avante (ex-PTdoB) e Podemos (ex-PTN). E outras mudanças de nome estão a caminho, mas que sempre começam -e acabam ficando- na troca de nomenclatura.

É certo que o eleitor brasileiro há muito já não vota em partido. Mas este movimento que adquiriu força em 2013 a partir da negação da política pela sociedade, provocada pela crise de representatividade que atravessamos, se acentuou nas eleições municipais passadas, com os escândalos de corrupção atingindo as principais siglas. Não à toa tivemos cada vez mais candidatos ocultando suas representações, e outsiders da política sendo eleitos.

A confiança nos partidos foi abaixo. Eles aparecem em último lugar no ranking de prestígio das instituições brasileiras feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). No entanto, é consenso na ciência política que, sem eles, não existe democracia representativa. Então, o que fazer?

Nós, do Livres, optamos por iniciar pela transformação interna. Em vez de criarmos mais uma denominação partidária em um cenário já tão disperso, achamos oportuno o espaço que encontramos no PSL, um partido, em princípio, social-liberal.

O horizonte para alteração do nome não é necessariamente 2018. Primeiro, estamos fazendo uma depuração dos nossos quadros, Estado a Estado, município a município, e o Brasil é enorme. Não é uma caça às bruxas porque não acreditamos em terra arrasada. Estamos olhando para dentro e avaliando o alinhamento com a renovação programática que pretendemos, entre os mais de 200 mil filiados.

Somos liberais por inteiro: na economia e nos costumes. Além disso, temos um termo de 17 compromissos dos quais não abrimos mão, entre eles o voto voluntário. Queremos o máximo de pessoas reunidas neste projeto, porém, sem esquecer da nossa identidade e integridade, tão escassa nos poderes Executivo e Legislativo país afora.

Quem ficar e os que chegarem terão que se acostumar ainda com meritocracia e transparência nos processos de escolha de dirigentes, candidatos e distribuição de recursos de campanha, por exemplo. Para isso, estamos finalizando um aplicativo em que o filiado vai poder comprovar seu ativismo, sua formação e sua credibilidade. É a pontuação obtida nesses três eixos que lhe vai permitir crescer na legenda, participar de primárias no próprio App e indicar a alocação de receitas.

Não há problema em reposicionamento de partidos. O problema é quando o fazem de fachada, mantendo as mesmas práticas e o centralismo em velhos caciques. Os brasileiros estão cansados. Quem esticar a corda vai apenas contaminar a nova marca e, cedo ou tarde, será varrido das urnas.

ANTÔNIO DE RUEDA é advogado e presidente nacional do PSL
SERGIO BIVAR é empresário e escritor, presidente-fundador do conselho nacional do Livres e Empreendedor Cívico pela RAPS, formado em Finanças pela University of South Florida

PARTICIPAÇÃO

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