Quedas de árvores têm sido cada vez mais frequentes em Curitiba

Publicado em 11/01/2018 por Tribuna PR

Bem comuns no verão, os temporais redobram a atenção da população para enchentes, mas precisam de um alerta para outro fator: queda de árvores. Do dia 22 de dezembro até a última segunda-feira (8), foram 206 solicitações emergenciais. A orientação da Secretaria de Meio Ambiente é que as pessoas se mantenham atentas e façam contato sempre que perceberem algo que pode provocar um acidente.

O número alto dos atendimentos em um período menor que um mês, segundo o gerente de arborização, se dá por vários motivos, mas o principal é a chuva contínua e, em alguns casos, forte. 'Período de verão sempre é mais chuvoso em Curitiba. Nessa época, as pancadas de chuva costumam trazer consigo a força do vento. As árvores não conseguem se sustentar e caem. Em alguns casos, tombam inclusive com a exposição da raiz', explicou José Fernando Rios.

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Em outros casos, quando chove de uma forma contínua como tem sido nos últimos dias, o solo fica encharcado e se torna ainda mais propicio para estes incidentes. "Com o solo molhado, a árvore fica ainda mais pesada. Se bater um vento mais forte, isso facilita a queda". Conforme José Fernando, não existe, ao certo, uma única espécie de árvore que seja a mais vulnerável. "Isso porque geralmente são vários fatores: as maiores, mais antigas, por exemplo. Essas árvores costumam pesar mais por causa da absorção da água. Nesse tipo de situação, via de regra são arvores de médio a grande porte que costumam não aguentar", detalhou.

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Solicitações

Das 206 solicitações de emergência, a prefeitura de Curitiba descobriu que 34 foram sobre árvores que caíram sem bloqueio de via ou de calçada e 68 solicitações de arvores que caíram com bloqueios de via. Já nos casos de galhos de grande porte, pelo menos 73 solicitações foram feitas, entre o que houve bloqueio de rua ou não.

O número de pedidos de emergência é grande, se comparado a todo o ano de 2017, quando foram feitos cerca de 900 ocorrências de queda de árvores, a maioria em situações de chuva e ventos fortes. 'Ainda tivemos 31 acionamentos da população que nos alertou para possíveis problemas com galhos que estavam pendendo e poderiam cair".

No mesmo período do ano passado, foram 178 solicitações emergenciais. Deste número, foram 58 árvores sem bloqueio da via e 35 com bloqueio. Nos casos de galhos de grande porte, foram 57 registros entre o que houve bloqueio de rua, ou não.

Recomendações

O gerente de arborização da prefeitura alertou que todos os pedidos devem ser feitos pelo 156 e o cidadão pode insistir. 'O que a gente diz é que não necessariamente faremos o corte da árvore, porque isso depende da análise que faremos no local, mas frisamos que sempre vamos ao local para vistoriar'.

Além dos acionamentos, a prefeitura também faz ações programadas de poda das árvores, para evitar acidentes, que são pensadas de acordo com os pedidos da população e também com o trabalho da secretaria. Na semana passada, foi feito o controle das árvores da Rua Inácio Lustosa. Nesta semana, as equipes trabalham ao longo da Avenida Presidente Kennedy, onde, na tarde de sábado (6), uma árvore caiu próximo ao cruzamento com a Avenida Marechal Floriano Peixoto.

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Chuvas

Além disso, com a chuva que domina a capital nos últimos dias, o risco de queda de árvores aumenta. De acordo com o meteorologista do Simepar, Lizandro Jacobsen, o tempo chuvoso é por conta da formação de uma zona de convergência do Atlântico Sul, que geralmente atinge somente a região Sudeste, mas, desta vez, acabou atingindo o Paraná e mudando radicalmente o verão.

"Essa zona de convergência desceu um pouco mais e atingiu o paraná, por isso, o fluxo de umidade constante da Amazônia chegou ate aqui e manteve o tempo instável nesses últimos dias. Devagar o sol volta a aparecer, mas ainda assim tem chuva aquela chuva clássica do verão. Ou seja, mesmo quando o verão voltar ao 'normal' a chuva aparece daquele jeito que típico da estação, com pancadas fortes" explicou.

A previsão é que o sol volte a aparecer nesta sexta-feira (12), mas as pancadas de chuvas ainda estarão presentes.