Samarco testa novo método para depósito de rejeito

Publicado em 30/11/2017 por Valor Online

Souto, gerente, diz que sistema retira água dos rejeitos restando apenas areia A mineradora Samarco planeja adotar um método não convencional de armazenamento de rejeito de minério de ferro em sua mina em Mariana, em Minas Gerais. A empresa está sem operar há pouco mais de dois anos, quando a barragem de Fundão, onde até então era depositado rejeito, se rompeu no dia 5 de novembro de 2015. A Samarco, sociedade entre Vale e BHP , tenta obter novas licenças ambientais do governo estadual a fim de retomar suas atividades. Para isso, propôs ao governo, no ano passado, um local alternativo para dispor o rejeito produzido quando a empresa estiver operando novamente. O local, chamado de cava Alegria Sul, é um imenso buraco onde vinha sendo retirando minério. A cava fica no complexo da empresa, em Mariana. Veja o local onde a Samarco vai armazenar rejeito de minério de ferro. O repórter Marcos de Moura e Souza conversa com o gerente geral de Retomada da mineradora Samarco, Alexandre Souto. This video is either unavailable or not supported in this browser Error Code: MEDIA_ERR_SRC_NOT_SUPPORTED If you are using an older browser please try upgrading or installing Flash. Session ID: 2017-11-30:e515c5df700547bafcb5a1 Player ID: ValorMedia5662495417001 OK Close Modal Dialog Pelo plano inicial, a Samarco jogaria na cava o rejeito úmido, como era feito em Fundão. E em 22 meses, Alegria Sul estaria no limite, não podendo mais ser usada. O que a empresa pretende agora é estender a vida útil da cava como depósito do rejeito. Para isso, propõe adicionar uma nova fase no processo de mineração. A ideia é usar um sistema de filtragem para retirar a água da maior parte do rejeito, restando uma areia que será empilhada na área e coberta com vegetação. A água retirada será usada no processo de processamento do minério e nos minerodutos da empresa. De maneira geral, 80% do rejeito é formado por areia e água; e 20% de uma lama espessa, segundo a empresa. Pelo plano a ser validado pela Secretaria de Meio Ambiente de Minas, Alegria Sul receberá apenas a parte da lama. "Se jogássemos todo o material, a cava seria usada por 22 meses. No novo sistema a cava poderá ser usada por cinco a seis anos", disse ontem a jornalistas Alexandre Souto, gerente geral de retomada da empresa. Não foi informado o custo do processo de filtragem da areia de rejeito. Não é, segundo Souto, método convencional usado pelas mineradoras e passou por testes na empresa antes de ser apresentado como alternativa. O modelo convencional é o descarte em grandes lagos, como em Fundão. A Samarco aguarda a licenças para começar as adaptações na cava. A ideia é ampliar a área da cava que tem, do fundo ao topo, 72 metros de altura. Sua capacidade de armazenamento é de 17 milhões de metros cúbicos. Quando a barragem de Fundão se desfez, tinha 55 milhões de metros cúbicos de rejeito em seu interior. A capacidade total era de 112,5 milhões. A empresa lembra que o uso de barragens era e ainda é um método largamente usado pelas empresas de mineração, mas que o desastre exigiu novas soluções da Samarco e do setor. A mineradora não sabe quando poderá voltar a operar. Aguarda tanto a licença da cava quanto a licença corretiva de todo o empreendimento. Um cenário considerado por autoridades que acompanham o processo em Minas é que volta às atividades ocorra no segundo semestre de 2018. A companhia se mantém hoje com aportes da Vale e BHP. Dos 3.000 funcionários que tinham em Minas Gerais e no Espírito Santo serão 1.135 até o fim do ano. A construção do sistema de filtragem levará cerca de um ano - e só poderá ser iniciado após o licenciamento. "A empresa não pode esperar e por isso no primeiro ano de operação vamos depositar 100% do rejeito na cava enquanto construímos a filtragem. Nossa situação é crítica, precisamos começar a gerar caixa novamente." O repórter viajou a convite da Samarco