Tocantins e São Francisco: uma ameaça

Publicado em 08/02/2018 por Lúcio Flávio Pinto - Amazônia Real

Resultado de imagem para Rio são francisco transposição


O fabuloso e lendário São Francisco, o “rio da integração nacional”, está secando em vários trechos, nos quais sua perenidade se encontra ameaçada. Uma solução de gênio para o grave problema foi a transposição das águas do Tocantins para o “velho Chico”. É o efeito dominó da devastação: para atacar um problema cria-se outro problema.

No caso, a questão é que o Tocantins já sofre sérios danos nas suas nascentes causados pelos desmatamentos sem qualquer controle. É a mesma situação do São Francisco, acrescida da perda das matas ciliares. A medida de efetividade definitiva não está na transposição, que cobre um rio para descobrir outro.

É atacando as causas da perda de massa líquida em função da ação destruidora do homem sobre a bacia dos dois rios (e de muitos mais do Brasil). Sobretudo, pela reposição da vegetação, maior controle do uso da água, combate enérgico ao desmatamento e demais crimes ecológicos, além de moralidade pública.

Um defensor da transposição certamente contestará com o argumento de que essa iniciativa é de efeito lento e demorado. Tem que haver uma iniciativa de antecipação, urgente, imediata. Admitindo-se que a alegação procede, há outra questão: o custo dessa providência. A transposição é de um custo absurdo.

Teve-se um exemplo imediato na sexta-feira passada, quando o presidente Temer inaugurou uma estação de bombeamento em Cabrobó, Pernambuco. Libertas do represamento, as águas arrastaram placas de concreto do canal, criando um evidente constrangimento entre as autoridades presentes e um espanto entre os que tiveram conhecimento do fato.

O Ministério da Integração Nacional, de Helder Barbalho, responsável pelo projeto, explicou que a movimentação das placas de concreto dos canais é uma ação que pode ocorrer durante o acionamento das bombas, devido à força com que a água é liberada.

Quem já viu a abertura das comportas de uma hidrelétrica sabe que no ponto de descarga das águas, quando elas se chocam com o piso, a bacia de dissipação tem que receber uma concretagem reforçada para evitar danos.

Eu vi quando as águas do Tocantins, libertas das comportas, em setembro de 1984, se chocaram com o piso da hidrelétrica, depois de darem o maior salto em esqui numa barragem já construída em todo mundo. O concreto resistiu.

Por que foi embora ao contato com uma massa de água infinitamente menor e no momento mesmo da inauguração?

O fato merecia uma rigorosa apuração. Houve imperícia, incompetência ou fraude no material usado? O ministério da Integração Nacional poderia divulgar outra nota para esclarecer esses pontos da obra.

Publicado por Amazônia Real