Uso de antibióticos vai crescer 36% neste século, aponta ONU

Publicado em 05/12/2017 por Valor Online

NAIRÓBI - O uso de antibióticos irá aumentar 36% neste século. O crescimento no uso de antibióticos específicos para os rebanhos será 67% maior em 2030. E mais de 75% dos antibióticos usados na aquicultura podem se espalhar no ambiente. Estas são algumas mensagens-chave do capítulo sobre resistência antimicrobiana aos antibióticos do relatório "Fronteira 2017", lançado em Nairóbi, no Quênia, durante a terceira edição da Assembleia Ambiental das Nações Unidas (Unea). O relatório estuda a dimensão da resistência de bactérias aos antibióticos. "O material genético das bactérias muda muito rápido. E quando lançamos os antibióticos no ambiente, aceleramos este processo", explicou ao Valor a cientista Jacqueline McGlade, uma das autoras do "Fronteiras 2017". "Elas se tornam rapidamente resistentes, em velocidade muito maior do que a capacidade de desenvolver novos produtos." "O alerta aqui é assustador: podemos estar estimulando o desenvolvimento de superbugs agressivos por ignorância e falta de cuidado", alertou Erik Solheim, diretor executivo da ONU Ambiente, em nota enviada à imprensa. "Temos que dar prioridade ao tema e agir agora", continuou Solheim, "sob risco de potencialmente terríveis consequências". O relatório "Fronteira" estima que 700 mil mortes ao ano são provocadas por resistência bacteriana. O estudo, de 84 páginas, explora outras cinco áreas emergentes de preocupação, como a nanotecnologia, e indica que é preciso levar em conta o "princípio da precaução". A terceira fronteira são os oceanos. A governança das áreas protegidas marinhas é chave para o sucesso da conservação, aponta o estudo. Tempestades de areia e a conexão à rede via energia solar das comunidades isoladas são outros tópicos. O último é contemporâneo e evidente: os deslocamentos humanos. *A jornalista viajou à Unea a convite da ONU Meio Ambiente