Com 530 mortos, Irã encerra operações de buscas após terremoto

Publicado em 14/11/2017 por O Globo

Sobrevivente do terremoto senta nos escombros em frente a sua casa em Sarpol-e-Zahab, no Irã - Vahid Salemi / AP

TEERÃ - Enquanto muitos sobreviventes procuram por abrigo, foram encerradas as operações de resgate nas áreas atingidas pelo forte terromoto no Irã, que deixou ao menos 530 mortos e 7.300 feridos, disse a televisão estatal nesta terça-feira. A região que faz fronteira com o Iraque foi atingida por um tremor de magnitude 7,3, que devastou cidades e vilarejos principalmente na área montanhosa da província de Kermanshah, e em ao menos outras 14 províncias. Já no Iraque, o balanço oficial era de oito mortos e 336 feridos.

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, chegou na manhã desta terça-feira à área atingida pelo terremoto e prometeu que o governo usará todos as suas forças para solucionar os problemas no menor tempo possível. Segundo a rede BBC, 12 mil casas ficaram destruídas no país, e a televisão estatal afirmou que milhares de pessoas estão se amontoando em acampamentos improvisados, enquanto outros passaram a segunda noite ao ar livre, com medo de mais tremores após 193 abalos secundários. O governo anunciou ter distribuído 22 mil tendas, 52 mil cobertores, quase 17 toneladas de arroz, 100 mil alimentos em conserva e mais de 200 mil garrafas de água.

- As necessidades imediatas das pessoas são tendas, água e alimentos - declarou à televisão estatal iraniana o general Mohamad Ali Yafari, chefe dos Guardiões da Revolução, o Exército de elite da República Islâmica, durante uma visita às zonas atingidas. - Os imóveis construídos recentemente resistiram bem, mas as velhas casas de terra ficaram totalmente destruídas.

No entanto, as operações de alívio ao sofrimento dos iranianos ainda podem levar meses. À rede CNN, a diretora de operações internacionais do Crescente Vermelho Iraniano disse que 500 vilarejos da região sofreram danos, estimando que 70 mil pessoas poderiam estar sendo afetadas. Ao menos 14 províncias iranianas foram atingidas. O terremoto é o mais letal de 2017: superou o número de vítimas do terremoto de 7,1 graus de magnitude que atingiu o México em 19 de setembro e matou 370 pessoas, deixando mais de seis mil feridos.

O epicentro do tremor se situou a 50 km ao norte de Sar-e Pol-e Zahab, cidade mais afetada pelo terremoto, onde morreram 280 pessoas. De acordo com a imprensa iraniana, uma mulher e um bebê foram resgatados com vida entre os escombros durante a manhã nesta cidade de 85 mil habitantes. Segundo responsáveis locais, o hospital e metade das escolas da zona ficaram danificados. Na província vizinha de Dalahoo, muitas localidades ficaram completamente destruídas de acordo com o prefeito local, citado pela agência Tasnim.

O local do terremoto
Tremor de 7,3 graus, no norte do Iraque, foi sentido na capital
Turquia
Mossul
Aleppo
Irã
Teerã
Kirkuk
Epicentro
Síria
103 quilômetros a sudoeste
de Sulaymaniyah
Bagdá
Iraque
Jordânia
Arábia Saudita
Fonte: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)
O local do terremoto
Tremor de 7,3 graus, no norte do
Iraque, foi sentido na capital
Turquia
Irã
Mossul
Kirkuk
Síria
Iraque
Epicentro
103 quilômetros
a sudoeste
de Sulaymaniyah
Bagdá
Arábia
Saudita
Fonte: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)

ESTRADAS VOLTAM A ABRIR

No final da tarde, as autoridades locais indicaram que todas as estradas que foram fechadas pelos deslizamentos de terra voltaram a abrir na província de Kermanshah, mas o fornecimento de energia ainda não havia sido restabelecido em Sar-e Pol-e Zahab, segundo a televisão estatal. O guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ordenou ao governos e às forças de segurança que mobilizem todos os recursos para ajudar a população. Segundo meios de comunicação iranianos, centenas de ambulâncias e dezenas de helicópteros do Exército foram enviados para operações de resgate. Cerca de 200 feridos foram levados de avião para hospitais em Teerã.

De acordo com Instituto de Geofísica da Universidade de Teerã, o terremoto foi seguido mais de 150 tremores secundários, os mais fortes de até 4,7 graus na escala Ritcher. Os tremores são frequentes no Irã. Em 2003, um terremoto na cidade de Bam, província de Kerman (sudeste do Irã), matou 31 mil pessoas e a cidade ficou praticamente destruída. Em abril de 2013, dois terremotos foram registrados no Irã, com poucos dias de intervalo, de magnitude 6,6 e 7,7, o mais forte no país desde 1957. Os sismos deixaram 40 mortos no Irã e um número similar no Paquistão.

Em junho de 1990, um terremoto de 7,4 graus no Irã, perto do mar Cáspio (norte), deixou 40 mil mortos e mais de 300 mil feridos, além de meio milhão de desabrigados. Em poucos segundos, uma superfície de 2.100 quilômetros quadrados, onde ficavam 27 cidades e 1.871 vilarejos nas províncias de Ghilan e Zandjan, ficou devastada.

Terremoto deixa centenas de mortos em Irã e Iraque

  • Homens e mulheres se aquecem com fogueira na frente de casas completamente destruídas por terremoto em Sarpol-e ZahabFoto: POURIA PAKIZEH / AFP

  • Carro ficou destruído por destroços de prédio que desabou após terremoto de magnitude 7,3 graus em Sarpol-e Zahab, no IrãFoto: POURIA PAKIZEH / AFP

  • Mulheres iranianas choram ao lado de corpos após forte terremoto; mais de 330 morreram e outras 2,5 mil ficaram feridos pelo abaloFoto: TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

  • Vítimas recebem tratamento médico após terremoto em Sarpol-e Zahab; socorristas enfrentam dificuldades para chegar a áreas remotas afetadas por abaloFoto: TASNIM NEWS AGENCY / REUTERS

  • Civis e socorristas percorrem área profundamente devastada por terremoto; diversos países sentiram o abalo sísmicoFoto: POURIA PAKIZEH / AFP

  • Resgatistas buscam sobreviventes entre escombros de construções destruídas em terremoto; vilarejos têm muitas casas frágeis de barro, que facilmente podem colapsar em caso de tremores Foto: FARZAD MENATI / AFP

  • Civis e socorristas percorrem área profundamente devastada por terremoto no Irã; diversos países sentiram o forte abalo sísmico Foto: POURIA PAKIZEH / AFP

  • Vítimas do terremoto são atendidas em hospital da província de Kermanshah, no oeste do Iraque, que anunciou três dias de lutoFoto: FARZAD MENATI / AFP

  • Um homem e uma criança buscam pertences após desabamento de um prédio em Darbandikhan, próximo a cidade Sulaimaniyah, no Iraque Foto: AKO RASHEED / REUTERS

  • Equipes de resgate buscam sobreviventes após terremoto 7,3 graus de magnitude na fronteira entre Irã e Iraque; deslizamentos de terra na região montanhosa dificultam o trabalho dos socorristasFoto: POURIA PAKIZEH / AFP

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EFEITOS NO IRAQUE

O terremoto alcançou todas as províncias do Iraque, enquanto na capital, Bagdá, foi sentido durante 20 segundos. Em Bagdá, muitos moradores fugiram de suas casas e edifícios altos quando tremores sacudiram a capital iraquiana.

- Eu estava sentado com meus filhos jantando e de repente o prédio estava apenas dançando no ar -, disse Majida Ameer, que saiu de seu prédio no distrito de Salihiya, com seus três filhos. - Pensava, inicialmente, que era uma bomba enorme. Mas, então, eu ouvi todos os que me rodeavam gritando: "Terremoto!" - acrescentou.

Cenas semelhantes se desenrolaram em Erbil, a capital da região do Curdistão, e em outras cidades do norte do Iraque, perto do epicentro do terremoto. O Ministério de Saúde do Iraque disse que a área mais afetada era o distrito de Darbandikham, perto da fronteira com o Irã, onde pelo menos 10 casas desabaram e o único hospital do distrito estava gravemente danificado.