Agronegócio não pode ser culpado por queimada, diz ministra da Agricultura

Publicado em 26/08/2019 por Exame

Tereza Cristina afirmou que eventuais barreiras comerciais contra os produtos agrícolas do Brasil não se justificariam
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Brasília — As notícias sobre as repercussões das queimadas na Amazônia preocupam, mas o agronegócio não pode ser culpado pelo problema, assim como eventuais barreiras comerciais aos produtos agrícolas brasileiros não se justificariam, disse nesta sexta-feira a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.
“Vamos para ação, vamos ver quem está queimando, vamos punir quem precisa ser punido, quem está fazendo a coisa errada. Mas não podemos dizer que, porque neste momento nós temos um incêndio acontecendo ou uma queimada acontecendo na Amazônia, que o agronegócio brasileiro é o grande destruidor…” disse Tereza a jornalistas, ao ser questionada após evento no ministério.
Origem dos incêndios
Na quarta-feira (21), Bolsonaro afirmou, sem provas, que as ONGs de preservação estariam envolvidas com as queimadas. Em resposta, o Observatório do Clima, rede que reúne cerca de 50 organizações não governamentais em prol de ações contra as mudanças climáticas, afirmou que o recorde de focos de incêndio  é apenas “o sintoma mais visível da antipolítica ambiental do governo de Jair Bolsonaro”.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, por sua vez, atribuiu o recorde de queimadas no país à seca, ao vento e ao calor liberado para para a atmosfera, através das queimadas. Mas causas naturais não são suficientes para explicar a magnitude dos incêndios neste ano. Especialistas atribuem o inferno amazônico ao discurso “agressivo” do governo Bolsonaro em relação às questões ambientais e de clima, que daria “legitimidade” a investidas nocivas contra a floresta.
Exemplo: no dia 10 de agosto fazendeiros e grileiros no sudoeste do Pará cumpriram a promessa de fazer um “dia de fogo” e deliberadamente queimaram  uma área vegetada da região de Novo Progresso. Resultado? Um aumento de 300% nos focos de incêndio em comparação com o dia anterior, pelos registros do Inpe. Conforme a Folha, os produtores se sentiam “amparados pelas palavras do presidente” e, por isso, coordenaram a queima de pasto e áreas em processo de desmate para uma mesma data.