Amazônia deve ficar mais quente e seca, alertam estudos sobre clima

Publicado em 01/04/2019 por Em Tempo

Já é percebido pelos órgãos efeitos de alteração climática, mudanças no comportamento da fauna, dos peixes e do período da várzea na Amazônia. A temperatura também deve subir nos próximos anos
Rebeca Mota
Manaus - Um ambiente mais quente e seco para a Amazônia é o prognóstico de estudos de modelagem que se debruçam sobre os efeitos das mudanças climáticas. O EM TEMPO entrevistou o Secretário Estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, para falar o que já tem percebido de mudanças.
“No Amazonas, já é possível sentir os efeitos das alterações climáticas se manifestando nas grandes secas e cheias, eventos esses que demoravam entre 50 a 100 anos para acontecer. Nos últimos 10 anos, quatro dos maiores índices de secas ou cheias ocorreram na região. Algumas comunidades do interior do Amazonas já percebem esses efeitos de alteração climática, mudanças no comportamento da fauna, dos peixes e do período da várzea, por exemplo”, conta Taveira.
Um estudo publicado no dia 20 março deste ano na revista PLoS ONE por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio (Uerj), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, mostra que o desmatamento na Amazônia, se continuar no ritmo atual, pode levar, até 2050, a um aumento médio da temperatura da região de 1,45°C. Além disso, o fenômeno afeta a biodiversidade local e poderá causar impactos econômicos e sociais.
De acordo com o trabalho, o desmatamento já promoveu em áreas tropicais da Terra um aumento de 0,38°C, entre 2000 e 2010. Mas esse valor é uma média para todas as regiões, considerando um desmatamento de 26% no período. A maioria das áreas analisadas (67%) sofreu menos de 20% de desmatamento, onde a perda florestal foi mais intensa. O aquecimento observado também é maior.
Plano para barrar desmatamento
A Sema tem trabalhado para a organização de um plano de contenção ao desmatamento. As florestas são um dos principais ecossistemas que podem garantir que essas alterações não causem grandes impactos ao meio ambiente.
“O grande desafio é fazer com que a conservação da floresta gere renda para as comunidades, para que possa ser feito investimentos na área de Educação, Saúde e a conservação possa ser feita no eixo de desenvolvimento sustentável. Não só no sentido ambiental, mas também no desenvolvimento social e econômico dessas comunidades”, diz.
O Governo vai regulamentar a Lei de serviços ambientais que estava parada desde 2016, para que possa ser feita a abertura de um mercado com serviços ambientais, principalmente, os créditos de carbono, visto que a floresta tem um grande potencial de estoque de carbono.
"É necessário investir em conhecimento científico, principalmente em soluções de adaptação a essas mudanças climáticas, para que seja feita a identificação de espécies que possam se adequar a essas novas condições", destaca.
Pauta e edição: Bruna Souza