Após a carne, virá o aumento do óleo? E tem mais?

Publicado em 17/12/2019 por Campo Grande News

Mário Sérgio Lorenzetto
Um informe do banco japonês Nomura está levando graves incertezas aos mercados mundiais dos alimentos. Os nipônicos afirmam que o mundo acostumou-se a pagar pouco para alimentar-se. Depois de anos de alimentos baratos, o índice de preços da FAO, a organização da ONU para a alimentação e agricultura, alcançou em novembro seu máximo em muitos anos. O impulso foi dado, como sentimos em nossos bolsos, pelas carnes. Todavia, o outro parceiro do aumento exagerado da carne, o óleo, ainda não deu as caras no Brasil. Chegou aos países que não adotam o óleo de soja como seu principal ingrediente para frigir alimentos e o trocam pelo óleo de palma que atingiu níveis estratosféricos.
45% abaixo da média dos últimos 120 anos.
A FAO acaba de declarar que "parece que chegamos a um ponto em que os preços [dos alimentos] já não são sustentáveis para os produtores". Também afirma que os alimentos estão sendo vendidos há anos em mínimos históricos. Descontando a inflação, os preços dos alimentos estariam 45% abaixo da média dos últimos 120 anos.
"Preparem-se para a próxima alta nos preços da comida", diz o banco japonês.
Mais além de fatores conjunturais, como a peste suína na China, "há riscos que não foram devidamente avaliados de uma subida de preços que poderia prolongar-se por vários anos", dizem os nipônicos. Além da maior demanda na China, os africanos e latinos americanos estão consumindo mais proteínas. E advertem: "o aquecimento global gera episódios climáticos cada vez mais extremos. Até agora tivemos sorte de que os desastres naturais não tenham tido um grande impacto na agricultura, mas há um risco crescente de que esses desastres afetem países produtores".
Falta de investimentos e Donald Trump, levam ao aumento de preços.
O banco japonês também garante que os dois outros importantes riscos para o aumento de preços dos alimentos são a falta de investimentos nos últimos anos no setor agrícola e a guerra comercial iniciada pela administração de Donald Trump, que colocou mais lenha no fogo das incertezas. Há importantes indicadores para a elevação imediata. Peste dos porcos na China, incêndios catastróficos nas zonas de produção australianas, até a explosão dos preços da cebola na Índia, concluem os japoneses, esquecendo, ou desconhecendo, os aumentos das carnes no Brasil.