Ciro rejeita aliança com PMDB e acusa "traidores"

Publicado em 13/10/2017 por Jornal O Estado do Ceará

O ex-ministro e presidenciável, Ciro Gomes (PDT) trouxe para diante dos holofotes o que, até então, estava restrito aos bastidores. Embora tenha evitado falar diretamente do seu ex-aliado, o senador Tasso Jereissati (PSDB) em discurso aos militantes, Ciro deixou claro que não há acordo eleitoral nem com o tucano e nem com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB).

"Espertalhões da política, que já deviam se aposentar e se acomodar, exploram a boa fé do Camilo para planejar, traindo pelas costas, enfiando um punhal nas costas dele. Mas, antes que chegue este punhal, estaremos ao seu redor", disse Ciro em discurso, ontem, durante convenção do PDT no Náutico Atlético Cearense.
Sem citar nomes, Ciro fez críticas ao PSDB. À imprensa, o ex-ministro disse que o ninho tucano dá sustentação política ao governo Temer e depois fica "se fazendo" de oposição.

"É uma contradição muito grande. O PSDB é quem sustenta o governo Temer, enquanto Tasso [Jereissati] faz um discurso contra mas manda no Banco do Nordeste, manda nas repartições com tráfico de influência em tudo e fica segurando o dinheiro do Ceará e tem um secretário dentro do governo do Camilo. Como fica isso?", questionou ele. Ciro foi mais além: "quem participa do governo e depois vem contra não passa de traidor".
Questionado se acredita no acordo envolvendo Tasso, Eunício e Camilo, o ex-ministro foi direto: "Aqui não. Comigo não".

Projetos
Ciro disse, ainda, que não é momento para discutir aliança, mas, sim, de "firmar a identidade de cada projeto". No palanque, Ciro defendeu a política, embora compreenda a descrença da população diante os inúmeros escândalos de corrupção. E, por isso, segundo ele, tem sustentado ser preciso "clareza" e "humildade", além de "proposta clara no sentido moral superior", para desfazer a indignação da sociedade.

Segurança
Sobre segurança pública, Ciro criticou o que chamou de "discurso demagógico que surge diante da matéria podre" e a "impotência do estado nacional" diante da violência. Ele afirmou também que "não dá para fazer milagres, quando uma facção criminosa já está presa e a Justiça permite que este vagabundos possam falar ao celular, dando ordem pra matar, roubar e aterrorizar o povo".

"Nenhuma hipótese"
O deputado federal André Figueiredo, que foi reconduzido à presidência do PDT Ceará, afirmou que "em nenhuma hipótese" serão aliados do PMDB nas eleições do ano que vem. Ele explicou que "em nível nacional é quase uma deliberação de não compormos em nenhum estado", inclusive lembrou que a sigla desfez o apoio aos governos do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro.

"Na terra do nosso pré-candidato à presidência, é quase impensado aliança com PMDB", frisou ele, acrescentando que "temos convicção que estaremos disputando com muita força as eleições do ano que vem.

Sobre anúncio da negociação entre o senador Eunício Oliveira e o governador Camilo Santana, Figueiredo foi enfático: "o que existe hoje é um diálogo institucional. No processo eleitoral, estaremos em lados distintos".

Camilo Santana, por sua vez, evitou tecer comentários sobre disputa eleitoral e voltou a afirmar que o assunto só será discutido, por ele, no ano que vem. Entretanto, ratificou apoio aos pleitos do PDT.

Mais
O presidente estadual do PT, De Assis Diniz, também esteve presente à convenção e, até discursou, no ginásio para a plateia de pedetistas. Cauteloso, o petista teceu elogios à gestão Camilo Santana, assim como ao ex-ministro Ciro Gomes. Ele destacou compromisso de apoio no segundo turno da disputa presidencial, uma vez que, segundo ele, o PT assegura a candidatura do ex-presidente Lula em 2018.

PDT elege diretório estadual e  municipal e  marca posição para 2018
O Partido Democrático Trabalhista do Ceará (PDT) realizou, na manhã de ontem, convenção no Clube Náutico para a escolha dos novos diretórios estadual e municipal de Fortaleza da sigla.
O local ficou lotado para o evento, com militantes e delegados da capital e do interior do Estado, além de aliados dos mais diversos partidos. Entre os presentes estavam o secretário geral do PDT Nacional, Manoel Dias, representando o presidente Carlos Lupi, o ex-ministro Ciro Gomes, o prefeito Roberto Cláudio, a vice-governadora Izolda Cela e o governador Camilo Santana.

O atual presidente do PDT, André Figueiredo, foi reconduzido ao cargo, assim como Roberto Cláudio para o municipal. Sobre as eleições de 2018, Figueiredo ratificou o apoio à reeleição de Camilo Santana (PT) e confirmou o nome do ex-governador Cid Gomes como um dos candidatos do partido ao Senado, além da defesa do nome de Ciro Gomes à presidência da República.

Além disso, o diretório também recebeu filiações de novas lideranças políticas. Quem chamou atenção foi a prefeita do Icó, Laís Nunes. Ela, inclusive, discursou em nome dos novos filiados. Lais agradeceu a Cid Gomes, que não estava presente ao evento por motivos pessoais, pela filiação do seu grupo ao PDT. Até recentemente, Laís era ligada ao grupo político liderado pelo ex-presidente do Tribunal de Contas dos Municípios, Domingos Filho.
O chefe de gabinete do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, o advogado Queiroz Filho, também assinou sua ficha de filiação ao PDT e, nos bastidores, é cotado como pré-candidato a deputado estadual ano que vem.

Modelo
Roberto Cláudio abriu os discursos falando sobre a importância do PDT e ressaltando que as administrações "farão do Ceará o modelo de bem administrar". Ele lembrou, ainda, a responsabilidade de formar um palanque que dê "maioria histórica a candidatura de Ciro à presidente do Brasil". "Não há outro político brasileiro que tenha produzido ideias originais e coragem para mudar esses pais", destacou ele.