Desordem faz a festa e Belmonte cerca entorno para evitar prejuízos

Publicado em 13/02/2018 por O Globo

RIO - Com sujeira nas ruas, apesar do esforço dos garis, e trânsito tumultuado pela passagem de blocos gigantes por vias importantes, a cidade atingiu um ponto tal de desordem, nos dois primeiros dias de carnaval, que bares como o Belmonte, no Leblon, recorreram ao gradeamento da área no entorno do estabelecimento, alegando falta de segurança.

Um vídeo mostrando o Belmonte gradeado, que teria sido feito no sábado, viralizou na internet. A Central de Atendimento ao Cidadão prefeitura (1746) registrou a denúncia. O dono do Belmonte, Antônio Rodrigues, defendeu a medida como forma de proteger o negócio durante o período de folia:

- A gente não consegue trabalhar se não colocar grade. As pessoas pulam e quebram tudo. Eu vou propor ao nosso sindicato que todos os bares fechem durante o carnaval do ano que vem. Não vai ter onde turista comer ou usar o banheiro.

A passagem de blocos pelas ruas internas do Leblon, como é o caso da Dias Ferreira, onde fica o bar, foi proibida pela prefeitura, em anúncio feito em agosto do ano passado. A decisão, no entanto, não impediu que as pessoas continuassem se aglomerando nas vias e, segundo moradores e comerciantes, o poder público não deu conta dos serviços de conservação e limpeza.

O cheiro de urina, o som alto após 22h, e até práticas sexuais em público são alvo de muita reclamação. A falta de banheiros químicos, além da precária manutenção destes equipamentos, e a ausência de controladores de trânsito também são problemas criticados da Zona Norte à Sul.

Procurada, a Comlurb informou que multou 107 pessoas por urinar nas ruas e 11 por descarte irregular de resíduos, somente no sábado. De acordo com a empresa, há 350 agentes do Lixo Zero nas ruas. Já a Guarda Municipal disse atuar com 6.140 agentes no carnaval de rua, no patrulhamento e no controle de trânsito e ordenamento urbano para coibir ambulantes irregulares.