EUA e Israel deixam agência de cultura e educação da ONU

Publicado em 13/10/2017 por Jornal do Comércio - RS

Os Estados Unidos vão deixar a Unesco, a agência de educação e cultura da Organização das Nações Unidas (ONU), a partir de 31 de dezembro deste ano, anunciou o Departamento de Estado norte-americano em comunicado nesta quinta-feira. "Essa decisão não foi tomada facilmente, e reflete as preocupações dos EUA com crescentes contas atrasadas na Unesco, a necessidade de reformas fundamentais na organização e o contínuo viés anti-Israel na Unesco", disse o departamento, acrescentando que os EUA irão buscar "continuar engajados (...) como Estado observador não membro, de forma a contribuir com as visões, perspectivas e com nossa expertise". Horas após o anúncio dos Estados Unidos, o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, declarou que seu país também deixaria a agência, e chamou a saída norte-americana de "corajosa e moral".
A agência da ONU lamentou a decisão. "Após receber notificação oficial do secretário de Estado americano, sr. Rex Tillerson, como diretora-geral da Unesco eu quero expressar meu profundo lamento com a decisão dos Estados Unidos da América de se retiraram da Unesco", disse a diretora-geral da agência, Irina Bokova, em comunicado.
A nota ainda afirma que o trabalho da Unesco é fundamental para fortalecer os laços de patrimônio comum da humanidade, diante das forças do ódio e da divisão. "No momento em que o combate à violência extremista pede maiores investimentos em educação, no diálogo entre culturas para prevenir o ódio, é profundamente lamentável que os Estados Unidos se retirem da agência líder das Nações Unidas que trata desses assuntos."
Nos últimos anos, Israel tem feito reclamações constantes sobre o posicionamento da agência em relação aos locais considerados patrimônio cultural da humanidade em Jerusalém e na Palestina. Na última Assembleia Geral da ONU, Netanyahu afirmou em seu discurso que a agência estava promovendo uma "falsa história" após ter designado Hebron e dois santuários adjacentes como "patrimônio cultural da Palestina ameaçado".
Os EUA haviam cancelado em 2011 sua contribuição financeira para a Unesco em protesto contra decisão da agência de conceder à Autoridade Nacional Palestina o status de membro pleno. As verbas norte-americanas representavam 22% do orçamento total da agência.
Na ocasião, a decisão teve 107 votos a favor e 52 abstenções. Foram contra 14 membros, entre eles Estados Unidos, Israel, Canadá e Alemanha. Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e França votaram a favor da admissão da Palestina. O Reino Unido se absteve.