Exportações para sul da Ásia e latinos surpreendem no ano até setembro

Publicado em 13/10/2017 por DCI

13/10/2017 - 05h00

Exportações para sul da Ásia e latinos surpreendem no ano até setembro

Países como Paquistão, Vietnã e Bangladesh aparecem entre os principais destinos de alguns dos produtos mais vendidos pelo Brasil; Peru, Chile e Colômbia estão entre os destaques na América

São Paulo - O forte avanço das exportações de commodities para países do sul da Ásia e do Oriente Médio, acompanhado pelo aumento dos embarques de manufaturados para latino-americanos, aparece entre as surpresas positivas da balança comercial em 2017.

Exemplos disso estão na lista dos principais destinos da soja brasileira, produto mais vendido pelo País entre janeiro e setembro. Com um aumento de 95,6%, na comparação com igual período de 2016, o Paquistão chegou à sétima colocação entre os maiores compradores do grão. Já a nona posição foi ocupada pelo Vietnã, que ampliou em 113,1% as aquisições da commodity em 2017. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic).

Os embarques do minério de ferro seguiram a mesma tendência. Entre janeiro e setembro, a Malásia foi o terceiro principal destino do produto, ao aumentar em 79,3% as importações do Brasil, e Omã ficou na sexta posição, com um crescimento de 76% nas compras do item.

As exportações do açúcar de cana também tiveram surpresas. Bangladesh foi o maior comprador da mercadoria no acumulado de 2017, com uma alta de 76,4% nas aquisições, enquanto que os Emirados Árabes Unidos alcançaram a oitava posição, ao ampliar em 305,6% as importações do produto.

Ainda que esses países continuem atrás dos principais parceiros do Brasil quando todos os produtos são somados, o crescimento econômico dessas regiões da Ásia favorece as vendas brasileiras. É o que diz Verônica Prates, consultora em comércio da Barral M Jorge.

"O futuro de exportações e importações desses países é bastante promissor ", diz a especialista, que menciona a viagem do ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes, para o sudeste asiático no começo do mês passado. "O governo brasileiro também percebeu a importância dessa região e passou a dar um foco maior para ela durante os últimos anos", afirma Prates.

A melhora do quadro econômico também aparece entre os motivos para o crescimento das exportações de manufaturados para países da América Latina, diz Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV).

Entre janeiro e setembro, as vendas de automóveis para o México cresceram 95,4%. Variações expressivas também foram vistas nos embarques do produto para outros países do continente, como Chile (157,8%), Colômbia (81,6%), Uruguai (98,4%) e Peru (300,5%). Os cinco países apareceram na lista dos principais destinos dos carros brasileiros, que é liderada pela Argentina.

"O avanço de acordos comerciais entre os latino-americanos e a busca do mercado externo por empresas brasileiras, que sofrem com a fraca demanda interna, também explicam esse aumento das vendas", afirma Valls.

Retomada econômica

O Produto Interno Bruto (PIB) dos países asiáticos e latino-americanos deve ter resultados positivos neste ano e em 2018, de acordo com as projeções apresentadas nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Para o Vietnã, são esperados crescimentos de 6,3% em 2017 e no ano que vem. Já as projeções para a Malásia apontam avanços de 5,4% e 4,8%, respectivamente. Para o grupo de emergentes asiáticos, que conta com a participação de Bangladesh, são indicados aumentos de 6,3% nos dois anos.

"Com a manutenção dessa trajetória, a tendência é que os embarques continuem crescendo", diz Prates. Segundo ela, o único "problema" das vendas para o sul da Ásia é a predominância de commodities na pauta de exportações, que conta com poucos produtos industrializados.

Na América do Sul, o FMI projeta alta de 0,6% para o PIB deste ano e de 1,6% para a atividade econômica em 2018. O Peru está entre os destaques da região, com expansão estimada em 2,7% para 2017 e em 3,8% no próximo ano.

Outras mercadorias

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 164,6 bilhões, um aumento de 18,1% no confronto com igual período de 2016.

Além da ascensão de países menos tradicionais, os dados do Mdic também mostram um crescimento nas vendas de diversos produtos menos conhecidos. Os embarques de hidrocarbonetos, por exemplo, subiram 55,5% na comparação com o ano passado, gerando US$ 614 milhões. Também foi registrado aumento nas vendas de partes de motores e turbinas para aviação (56%, para US$ 563 milhões) e de munições de caça e esporte (53,4%, para US$ 271 milhões).

Renato Ghelfi

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