Governador do Piauí quer discurso moral no PT

Publicado em 11/10/2018 por Valor Online

Governador do Piauí quer discurso moral no PT

Questões de moralidade devem entrar mais fortemente na campanha presidencial do candidato Fernando Haddad (PT) e um debate mais próximos com lideranças religiosas precisa ser feito de forma rápida. A avaliação é do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), reeleito no domingo. "O desafio não é pequeno, mas vamos trabalhar pesado", disse Dias, ao Valor.

Para o petista, Haddad precisa encontrar uma forma de mostrar ao povo quem ele é: um homem casado há 30 anos, cujo avô era religioso e que vive de salário de professor. "O Lula já disse a ele: agora é com você."

Para Dias, nem 20% dos votos do candidato do PSL partiram de pessoas que de fato gostam dele do jeito que é e concordam com suas ideias. O restante votou em uma imagem que não se sustenta, impulsionados pelo sentimento de antipetismo, antipolítico e anticorrupção.

"Quantos casamentos ele [Bolsonaro] já teve? Ele é alguém que recebe auxílio-moradia já possuindo imóvel próprio", diz.

O petista ressalta que é urgente o combate a propagação de notícias falsas como a de que Haddad criou o "kit gay". A expressão foi cunhada por conservadores para se referir a programas de educação para diversidade, previstos em documentos internacionais e nos parâmetros curriculares brasileiros e que tem como objetivo combater o preconceito e a violência de gênero.

Segundo o governador, está chegando ao eleitor evangélico, além disso, que o PT pretende "acabar com as igrejas".

"O principal desafio é vencer a mentira. É uma campanha muito centrada no medo", disse.

O governador, que recebeu 55,6% dos votos, acredita que há margem para Haddad ganhar ainda mais votos no Nordeste, desde que se desfaça a boa imagem do Bolsonaro em aspectos comportamentais e éticos. No Piauí, Haddad recebeu 65% dos votos válidos, e Dias acredita que esse patamar pode ultrapassar 70% agora na segunda etapa.

Dias esteve reunido com os demais governadores do Nordeste aliados do PT e eleitos no domingo e Haddad, em São Paulo, na terça-feira e ontem. Segundo o governador, houve pedido para que o candidato petista assuma um compromisso com a segurança pública, questão sensível no Nordeste.

Outra cobrança foi que Haddad retomasse o projeto "Mais Especialidades", uma promessa da ex-presidente Dilma Rousseff que acabou não sendo plenamente executado. O projeto prevê um policlínica para cada 500 mil habitantes.

Além disso, os governadores pediram que seja regulamentada a securitização da dívida ativa, para que os Estados e a própria União possam antecipar receitas, fazer investimentos e estimular a economia.