Greve dos caminhoneiros não afetou controle das contas, diz Guardia

Publicado em 13/06/2018 por Valor Econômico

SÃO PAULO  -  A paralisação dos caminhoneiros não prejudicou o controle das contas pelo governo brasileiro, disse o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia. Em evento da Anbima, ele afirmou que a solução dada ao governo para a greve foi "responsável", com o fim dos bloqueios e a preservação da Petrobras. Durante o evento, o ministro ainda afirmou que as principais variáveis da questão fiscal neste ano, estão "sob controle".

"Estamos trabalhando para ter mais fôlego e flexibilidade no ano que vem", afirmou. O ministro destacou que a reforma da Previdência é fundamental para que haja o equilíbrio fiscal, mas o governo está "olhando outras medidas para dar maior flexbilidade fiscal no primeiro ano do próximo governo", afirmou.

Guardia afirmou que o governo trabalha junto ao mercado de capitais nesse momento de volatilidade influenciada também pelo mercado externo. Segundo ele, os fundamentos ecomômicos atuais são diferentes de outros períodos como o das eleições de 2002. Atualmente, segundo Guardia, o país tem "ampla reserva de moeda" e um "colchão de liquidez elevado".

"O Banco Central hoje tem instrumentos para atuar no mercado de câmbio e o Tesouro e a Fazenda têm instrumentos para atuar no mercado de juros", afirmou.

Por fim, Guardia falou que o governo tem feito avanços na economia. Ele destacou a reoneração da folha de pagamento, o cadastro positivo e a duplicata eletrônica.

"Tivemos reoneração da folha, por exemplo. O fim desse benefício a partir de dezembro de 2020 dará colaboração para o governo cumprir o teto de gastos. Também aprovamos o cadastro positivo na Câmara e votamos a duplicata eletrônica, o distrato, que é um tema extremamente importante para a construção civil", afirmou.

Dyogo Oliveira

Também participante do evento da Anbima, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, o Brasil entrou em uma nova era da economia com os juros em patamares mais baixos, uma era "que veio pra ficar". "Desenvolvimento do mercado de capitais rigoroso, dinâmico, com diversificação de instrumentos e participantes, com o alongamento dos prazos, que também é nosso objetivo, assim como o aumento da liquidez. Tudo isso é fundamental, e temos que continuar perseguindo", afirmou.

O ministro disse ainda existe uma "agenda longa" nesse sentido, que não avançou tanto quanto ele gostaria nos últimos anos. Ele afirma, no entanto, que, com os juros mais baixos, o cenário econômico é "incomparável com os anos anteriores". "Há uma maturidade dos pensadores de política econômica", disse.

Dyogo ainda disse que "falta o país alcançar o equilíbrio fiscal". "Dado isso, teremos espaço da agenda voltado para eficiência da economia brasileira", afirmou.