Mindset para inovação é desafio no agronegócio

Publicado em 30/08/2019 por Jornal do Comércio RS

Patricia Knebel
Já existe muita tecnologia no setor de agronegócios, mas o aumento da competitividade nacional e internacional, e em alguns casos a própria permanência no mercado, passa por acelerar esse movimento. Se a ideia é dar um salto, será preciso disseminar a mentalidade voltada para a inovação e fazer com que o conhecimento gerado nas universidades e nas empresas chegue ao campo de forma que seja compreendido como valor pelos produtores.
"A agricultura digital traz muitas novas ofertas de tecnologias, o que gera dúvidas sobre as escolhas a serem feitas. A adoção passa por treinamento e engajamento com os clientes", comenta o coordenador de marketing de produto da Stara, Jonas Reis. No caso da empresa de máquinas agrícolas, os cerca de 200 engenheiros envolvidos no desenvolvimento de produtos são encorajados a ir a campo e entender as necessidades dos produtores.
O CEO e fundador da Eirene Solutions, Eduardo Marckmann. concorda que estar próximo é fundamental. "Na hora de vender uma solução tecnológica para o campo, esquecemos que somos startup, pois isso é algo que até pode assustar', comenta. Para ele, o incremento do aporte de tecnologia no campo passa pela sucessão das fazendas. "O filho não quer mais ficar como o seu pai fazia, dedicado 247 na fazenda. As novas tecnologias ajudam a ter gestão melhor do negócio e permitem que isso seja feito remotamente", destaca.
A criação de mentalidade para a inovação no agronegócio foi tema de um painel realizado essa semana na Casa do Jornal do Comércio na Expointer. Além de Reis e Marckmann, estiveram presentes o secretário estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia, Luís Lamb, e o CEO e fundador da Aegro, Pedro Dusso.
Um dos temas destacados pelos participantes foi o desafio de fazer com que a colaboração entre os players seja incrementada por meio da aproximação de todos os elos desta cadeia, como instituições de ensino, entidades, grandes empresas e startups. "Quanto mais você colabora, mais aprende com os outros. Isso é mais importante que competição", comenta Lamb.
Para ele, o conhecimento tem que sair de forma mais ágil das instituições de ensino e chegar ao mercado. Sem falar que todo mercado fornecedor precisar intensificar a modernização. Um dos caminhos é aproximar as grandes corporações do setor das startups. Essa já tem sido a receita de sucesso em muitos segmentos do mercado, e não é diferente no agronegócio. "As corporações de maior porte enfrentam muitas pressões rotineiras, o que dificulta o processo de inovação. Já nas startups inovar está no sangue", destaca Lamb.
A Aegro, que tem como carro chefe um sistema de gestão que controla parte financeira e operações agrícolas, tem se aproximado das grandes empresas do setor para benchmarking. "Fazemos muita colaboração com outras startups e com empresas de maior porte, para conhecer processos que possam apoiar nosso crescimento'", relata Dusso. Para ele, a seleção natural impacta muito fortemente o agronegócio. "Ou as empresas evoluem ou vão quebrar", alerta.
A Stara já está há mais tempo no mercado do que as duas startups - já são 59 anos - mas também há muito tempo aposta na tecnologia. Em 2006, a empresa percebeu que para uma operação familiar e regional competir com as multinacionais era preciso apostar em tecnologia própria. "Decidimos produzir não só ferro e aço, mas um controlador próprio. Isso fez com que a Stara alavancasse a sua operação, com altas taxas de crescimento e disputa mercado com grandes empresas", relata. Segundo ele, o setor está passando por um processo de ruptura, alguns assuntos se discutir uma vez por ano, hoje são semanais. "Hoje em dia, todos os produtos lançados pela Stara trazem junto do seu processo de concepção a ideia da inovação para gerar competitividade e sustentabilidade", diz Reis.