Monitoramento ambiental reforçado

Publicado em 12/07/2019 por A Crítica

Em momento que os números mostram dados negativos tanto no desmatamento quanto nas queimadas na Amazônia, é uma boa nova o anúncio de parceria entre organizações que atuam na conservação e na produção de pesquisa nesta região e instituições governamentais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da Amazônia Ocidental. Nesse acordo, o monitoramento territorial e ambiental ganha reforço com instalação de antena com capacidade de ampliar a coleta de informações.
A cessão de área da Embrapa, no modelo comodato, por um prazo de 40 anos, irá permitir a instalação da antena multisatelital de observação da terra e, com esse recurso, avançar no sistema de recepção imagens diretamente de satélites o que deverá facilitar operações de monitoramento e de tomada de decisão diante de indicadores de ameaças e ou de retrocessos nessa área.
A antena, adquirida pelo Fundo Amazônia, cujo patrocínio é feito pelos governos da Alemanha e da Noruega, também está sob ameaça se não houver por parte do governo brasileiro uma posição mais firme de manutenção ativa do Brasil no Acordo do Clima e que essa permanência se revele em maior cuidado para com a floresta amazônica. Decisões tomadas pelo governo brasileiro e outras anunciadas indicam que a linha matriz do plano de desenvolvimento do País no atual governo passa, necessariamente, pela maior presença da iniciativa privada e avanço de grandes projetos que têm na Amazônia um dos espaços preferenciais para executá-los.
Existe no governo um entendimento de que a exploração dos recursos naturais do Brasil deve ser facilitada. No geral, o que preocupa é a falta explicita de critérios para essa ação sobrepondo-se a ideia de que barreiras até então existentes, por força depressão de segmentos nacionais e internacionais, devem ser derrubadas a fim de não criar obstáculos aos projetos de exploração. O governo da Noruega alertou o governo brasileiro que poderia deixar de financiar o Fundo Amazônia se medidas de enfrentamento a exploração ilegal de madeira, o desmatamento e a mineração ilegais não fossem adotadas.
O clima de enfrentamento entre os governos poderá representar à Amazônia uma nova ameaça retirando atores que têm sido estratégicos para que o governo brasileiro não escancare a Amazônia à exploração ilegal e desordenada.