Nem adubação, nem herbicida: saiba qual o primeiro passo para intensificar o uso de suas pastagens

Publicado em 28/05/2019 por Giro do Boi


Apesar de ser um dos maiores produtores de carne bovina do mundo e o principal exportador em volume, o Brasil pecuário ainda tem questões a resolver, como, por exemplo, a taxa de lotação, cuja média é de cerca de 0,7 UA/ha. Nesta segunda, 27, o Giro do Boi falou sobre a importância da intensificação do uso de pastagens em entrevista com o engenheiro agrônomo, pós-graduado em pastagens pela Esalq-USP e consultor do Circuito da Pecuária, Wagner Pires, autor do recém-lançado livro “Pastagem Sustentável de A a Z”.

Pires falou em sua entrevista a respeito do primeiro passo para o aumento do desfrute da pecuária brasileira. Seria adubação? Ou a aplicação de defensivos? A resposta não é nenhum destes dois manejos, mas sim a divisão da fazenda em piquetes menores. “A gente tem que encarar a pastagem como uma cultura, uma lavoura. E o pecuarista tem que pensar em adubação, só que não adianta adubar se não controlar plantas daninhas. Não adianta adubar se o pasto for um pasto grande porque vai produzir tanto pasto e ele vai perder. Então a primeira coisa que eu faço em uma fazenda quando eu chego para prestar consultoria: vamos ver o mapa, vamos ver as divisões, vamos fazer mais divisões porque você começa a melhorar o manejo e controlar plantas daninhas, aí depois vem a adubação”, respondeu o agrônomo.

Em sua entrevista, o consultor comentou a importância também da análise de solo. “Ninguém toma remédio sem o médico fazer um exame e o pecuarista precisa fazer análise de solo porque ele economiza dinheiro”, comparou.

Pires citou o exemplo da Fazenda Roma, localizada em Palestina, no Pará, em que o proprietário fez uma indagação a ele. “Wagner, por onde a gente vai começar adubando o pasto? E eu falei: ‘Não vamos adubar. Nós vamos, sim, dividir o seu pasto e controlar as plantas daninhas‘. […] Ele investiu sabe em quê? Em zinco, ou seja, cerca. Cerca e herbicida. E aí nós saímos de 2.800 cabeças para 4.000”, relembrou o consultor.

O agrônomo também recomendou que em uma mesma propriedade o pecuarista faça uso de diversas espécies forrageiras e converse com seus vizinhos para comparar resultados. “Não ache que sua fazenda está boa. Vamos ver no vizinho, com outras pessoas. […] Vamos diversificar. Não pode misturar, mas tem que ter pelo menos três, quatro tipos de gramíneas na fazenda, isso ajuda muito”. concluiu.

Veja a entrevista completa no player abaixo: