O norte da sustentabilidade

Publicado em 17/12/2018 por Diário da Amazônia

De um lado, o sonho utópico de uma Amazônia imaculada, livre das ambições humanas. De outro, a distopia de uma exploração criminosa, sem limites, esgotando rápida e irreversivelmente os recursos naturais da região. Será desastroso para o Brasil e o mundo se uma dessas duas visões radicais que disputam os corações e mentes dos povos vencer a contenda, cujo pior defeito é ser uma guerra e não um debate respeitoso.
Enquanto esse debate não é viabilizado, precisam ser relativizados o irracionalismo negacionista, que ignora os riscos do descuido, e o bucolismo edênico que despreza a migração humana como fator irreversível do avanço da civilização, com seus avanços e retrocessos.
Cabe um elogio aos movimentos ambientalistas que por meio da pesquisa fornecem contribuições importantes para avaliação dos limites e cuidados necessários. E também às personalidades e entidades voltadas a estudos precisos sobre como extrair o máximo de riquezas em benefício do Brasil tendo na bússola o Norte da sustentabilidade.
Sem cuidados, o desastre será inevitável. Sem a participação ampla de atores estatais e não estatais no processo regional de aproveitamento econômico, incluindo as comunidades tradicionais, como recomenda a pesquisadora Marcela Vecchione, não haverá o melhor desenvolvimento.
Carlos Sperança