Panos quentes no atrito entre Temer e Maia

Publicado em 13/10/2017 por DCI

13/10/2017 - 05h00

Panos quentes no atrito entre Temer e Maia

Fim da "lua de mel" entre os dois caciques políticos começou na tramitação da primeira denúncia da PGR contra o presidente da República

Uma "operação abafa" deve estar a caminho para reduzir a tensão política inédita entre Michel Temer (PMDB) e o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e, assim, evitar contaminação do clima de votação da segunda denúncia contra o presidente da República na Casa. Os panos quentes no crescente atrito entre os dois também mira a extensa agenda de votações de interesse do governo, como as últimas medidas de ajuste fiscal para conter o déficit público, analisa a equipe da Arko Advice, consultoria de Brasília. Entre as medidas, o adiamento de reajuste salarial de servidores e aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo.

 

Edição de MPs será limitada?

Outro motivo de preocupação do Planalto em relação ao desentendimento com o presidente da Câmara é a empacada Reforma da Previdência, já que o governo ainda mantém esperança de aprovar ainda neste ano pelo menos uma proposta "desidratada", alterando a idade mínima de aposentadoria. "A curto prazo, as medidas provisórias existentes deverão ser votadas. Já a edição de novas MPs poderá ser limitada pela atitude de Maia, que poderá devolver medidas provisórias não consideradas relevantes ou urgentes", prevê a Arko.

 

Faltou discutir a relação

A relação entre o presidente da Câmara e o presidente da República não anda bem há algum tempo. O fim da "lua de mel" entre os dois caciques políticos começou na tramitação da primeira denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer. A Maia foram atribuídas articulações para aprovar a denúncia e assumir o lugar de Temer. O desgaste passou pelo "roubo" do PMDB da filiação do ministro de Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho, também alvo de cobiça do DEM. Agora, o motivo foi a intervenção do Planalto para esvaziar votações do plenário.

 

Elas no agronegócio

Uma área de trabalho que até há pouco tempo era dominada por homens, o agronegócio começa a ter uma presença relevante de mulheres nas mais diversas atividades. Um termômetro é o interesse delas em participar no 2º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, 17 e 18 deste mês, em São Paulo (SP). Recorde de inscrição - mais de 900 -, elas são de 18 estados e conhecerão, durante o evento, o resultado da pesquisa inédita "Todas as Mulheres do Agronegócio". Dentre os 15 workshops práticos, temas como Gestão Feminina, Sucessão Familiar, Agricultura do Futuro.

 

Diversidade sexual nas empresas

 Questões relacionadas à diversidade sexual ganham visibilidade na sociedade, após o reconhecimento, pelo STF, da união homoafetiva como entidade familiar e união estável, e celebração de casamento civil em cartórios. "A diversidade sexual passou a ser um tema debatido na iniciativa privada, porque além de uma questão social, tornou-se econômica também", diz Chyntia Barcellos. Ativista dos direitos humanos, especialmente dos direitos da população LGBTI. Ela é autora de uma publicação dedicada ao empresariado, a cartilha "Demitindo Preconceitos", lançada terça (10).

 

Semicondutores, IoT e indústria 4.0

Refletir sobre a relação dos semicondutores (chips) e seu papel decisivo na consolidação da indústria 4.0 e do segmento de Internet das Coisas no Brasil será o foco da primeira edição do ChipCon17, evento que ocorre em 30 de novembro em Florianópolis (SC). Participarão da conferência especialistas nacionais e internacionais de gigantes do mercado de semicondutores, IoT e indústria 4.0, casos da Synopsys e ARM, líderes mundiais em semicondutores; IMEC da Bélgica; Creative Chips da Alemanha, líder no desenvolvimento de Application Specific Integrated Circuits (ASICs) para Indústria 4.0, além de representantes do BNDES. A iniciativa é da brasileira Chipus Microeletrônica, com o apoio de diversas associações e entidades de classe.

 

Chance para voo independente

A Vert, especializada em tecnologia e comunicação, acaba de anunciar a primeira fase do processo de spin-off da ACME, sua unidade de negócios, responsável por processos de pré-vendas, provas de conceito e demonstração de ferramentas de TI para novos clientes. Por meio da aceleradora de startups Cotidiano, a empresa dará oportunidade a uma de suas divisões de alçar voo como empresa independente, com incentivo e aprendizado do CAMP4, um programa intensivo de aceleração e mentoria de empresas iniciantes. De acordo com o vice-presidente da VERT, André Fróes, a ACME foi escolhida para este processo por ser uma unidade que consegue resolver e escalar soluções para problemas como tempo de resposta e quantidade de processos de pré-vendas.

 

Aportes de fundos na Ourolac

A gestora de private equity norte-americana Siguler Guff & Company, que tem entre seus investimentos a rede brasileira Óticas Carol - vendida recentemente para a italiana Luxottica, líder global do setor -, acaba de adquirir participação societária em um novo negócio, junto com a 2bCapital, gestora de private equity do Grupo Bradesco. Juntos, os dois fundos fizeram aporte de R$ 90 milhões na companhia goiana Ourolac.

O 2bCapital fornece capital em troca de participações minoritárias relevantes e seus coltistas incluem fundos de pensão brasileiros, além do próprio Bradesco. Guilherme Quintão e Cesar Collier, respectivamente, representantes da 2bCapital e da Siguler Guff, afirmam que os fundos focam em empresas com alta capacidade de gestão e grande potencial de crescimento. A Ourolac é  líder no fornecimento de soluções lácteas UHT para o mercado de foodservice e tem entre seus clientes grandes redes como Burger King, Bobs, KFC, Giraffas, Chiquinho Sorvetes, Cinépolis e Cacau Show.

 

Futuro do trabalho

A reforma trabalhista, proposta recentemente pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que provocou mudanças radicais nas leis trabalhistas do país, assim como as alterações no Brasil e em outras partes do mundo, serão debatidas hoje (13), no Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), unidade Paulista. O debate terá como foco o futuro do trabalho e do Direito do Trabalho no mundo e no Brasil. A mesa será formada pelo professor da Université de Nantes, na França, Augustin Émane; o juiz auxiliar da presidência do TST, Fabiano Coelho e o professor da Fundação Getúlio Vargas, Jorge Boucinhas Filho. A mediação dos debates ficará por conta do presidente da Comissão de Direito do Trabalho do IASP, Ricardo Peake Braga.