Papa defende fim de mentalidade destruidora frente à Amazônia

Publicado em 08/07/2019 por O Povo

O papa Francisco disse na manhã de ontem que a Amazônia sofre com uma mentalidade cega e destruidora que favorece o lucro e que o "homem não pode permanecer um espectador indiferente diante dessa destruição, nem a Igreja deve ficar em silêncio".
"A situação da Amazônia é um triste paradigma do que está acontecendo em muitas partes do planeta: uma mentalidade cega e destruidora que favorece o lucro à justiça; coloca em evidência a conduta predatória com a qual o homem se relaciona com a natureza. Por favor, não esqueçam que justiça social e ecologia estão profundamente interligadas", disse Francisco aos participantes do 2º Fórum das Comunidades Laudato si que acontece em Amatrice, cidade italiana do Lácio, na mesma região de Roma.
Segundo a agência de notícias Vatican News, o papa afirmou que aquilo que está acontecendo na Amazônia terá repercussões "em nível planetário". "Prostrou milhares de homens e mulheres roubados do seu território, que se tornaram estrangeiros na própria terra, retirados da própria cultura e das próprias tradições, quebrando o equilíbrio milenar que unia aqueles povos à sua terra. O homem não pode permanecer um espectador indiferente diante dessa destruição, nem a Igreja deve ficar em silêncio: o grito dos pobres deve ressoar da sua boca."
No mesmo dia do discurso papal quanto à Amazônia, o presidente Jair Bolsonaro escreveu, em sua conta no Twitter, que o Brasil é exemplo para o mundo na preservação ambiental. E disse em seguida: "ONGs, artistas, 'Raonis' não mais influenciarão em nossa política externa". A publicação de Bolsonaro é acompanhada de um vídeo que mostra uma declaração feita há dois dias pelo próprio presidente, de que ele não reconhece o líder indígena brasileiro Raoni Metuktire como uma autoridade do País.
"O senhor (Emmanuel) Macron (presidente da França) queria que eu, ele, ao lado do Raoni, viéssemos anunciar decisões para a nossa questão ambiental. Não. Não reconheço Raoni como autoridade aqui no Brasil. Ele é um cidadão, como outro qualquer, a quem devemos respeito e consideração, mas estar ao meu lado para tomar decisão pelo nosso Brasil, ele não é autoridade", disse. (das agências)