PIB pode chegar a 4% até 2021, diz Meirelles

Publicado em 13/10/2017 por Jornal do Comércio - RS

Em um seminário a investidores em Washington, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse, nesta quinta-feira, que o PIB do Brasil pode chegar a 4% "em três, quatro anos" se reformas macroeconômicas, como a da Previdência e a tributária, forem aprovadas. "Esperamos que o PIB potencial possa chegar a 4% com reformas, o que é bem viável", afirmou, a um público de cerca de 50 pessoas, no seminário do Instituto de Finanças Internacionais.
A última previsão do Banco Central (BC) para 2018 é de crescimento de 2,4%. O FMI (Fundo Monetário Internacional) se mostrou bem menos otimista, em sua projeção divulgada na última terça-feira: 1,5% para o próximo ano. A reticência do FMI sobre a previsão de 2018 tem por base "a fraqueza contínua no investimento e o aumento da incerteza política e de políticas".
Meirelles havia afirmado, na quarta-feira, que acha um "bom número" para 2018 o crescimento de 3%, estimado por "muitos analistas" no mercado. Aos investidores, ele repetiu esse número nesta quinta-feira.
"O nosso cenário base, que ainda está no orçamento, é um crescimento de 2% em 2018, mas já existem diversos analistas e economistas com previsões de crescimento maiores, até de 3% ou mais no ano que vem. Eu chamaria de um cenário otimista, mas é um cenário possível."
Aos jornalistas, depois, o ministro disse ser possível chegar ao índice de 4% com reformas macro e microeconômicas. "Isso, evidentemente, depende de aprovação, não só das reformas macroeconômicas, por exemplo, a reforma da Previdência e a tributária, mas também de toda uma série de reformas microeconômicas", afirmou. "Algumas delas já foram aprovadas, como, por exemplo, a taxa de longo prazo para o Bndes."
Segundo o ministro, o País está "indo nessa direção" dos 4%. "A inflação, nos últimos 12 meses, está nos índices mais baixos da história recente, de 2,5%, e a taxa de juros real sobre a inflação de um ano também está nos níveis mais baixos da história", disse. "Tudo isso mostra que a política econômica brasileira está funcionando em todas as áreas."
Ao ser questionado sobre qual seria o risco da economia global hoje, Meirelles disse que um atraso do Fed (Federal Reserve, Banco Central norte-americano) e do Banco Central Europeu (BCE) na normalização das políticas monetárias poderia levar a uma bolha nos mercados de ativo internacional, cujo rompimento poderia gerar um tipo de crise.
"Isso é um risco que todos devem prestar a atenção. Evidentemente que o Fed está atento a isso e anunciando uma normalização da política monetária, e não acredito que isso seja o cenário provável", afirmou.