PPG aposta em montadoras e agronegócios

Publicado em 13/10/2017 por DCI

13/10/2017 - 05h00

PPG aposta em montadoras e agronegócios

Prejudicada por dois anos de crise econômica, a área industrial da fabricante de tintas deverá crescer este ano, com alta de até 35%; área de embalagens sofreu menos e pode avançar até 10%

Introdução da tecnologia monocoat eliminou uma das camadas de pinturas aplicadas nos veículos
Introdução da tecnologia monocoat eliminou uma das camadas de pinturas aplicadas nos veículos
Foto: FOTOS: DIVULGAÇÃO

São Paulo - A expansão do agronegócio brasileiro e a recuperação do setor automotivo estão puxando a demanda por tintas industriais, conta o gerente geral de Revestimentos Industriais e para Embalagens da PPG Cone Sul, Rafael Torezan.

"Na área industrial, a demanda das máquinas agrícolas começou a ser retomada no ano passado, pelas exportações de commodities, em razão da grande safra no campo. Neste ano, começamos a ver o setor de autopeças reagindo, com o crescimento da produção de carros", diz o executivo.

Recentemente, a PPG firmou parceria com a Randon para fornecer insumo à montadora de carrocerias e implementos rodoviários.

Em meio à recuperação econômica, buscando aumentar os níveis de produtividade, as companhias introduziram, conjuntamente, a tecnologia monocoat, que basicamente eliminou uma das camadas da pintura dos implementos rodoviários, reboques e semirreboques, fabricados na unidade da Randon localizada em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

"Isso resultou numa redução de mais de 30% no tempo de operação das nossas plantas, em comparação aos processos anteriores", explica o diretor de Tecnologia e Inovação da Randon Implementos Divisão Montadoras, Sandro Adolfo Trentin, destacando que, em razão do alto teor de componentes sólidos nas tinturas, se ampliou também a resistência dos equipamentos à corrosão ao longo do tempo de uso dos produtos.

O processo vem sendo aplicado na Randon há três meses, após mais de seis meses de testes, e deverá resultar na melhora dos resultados já no segundo semestre. O executivo da Randon, porém, evitou dar mais detalhes sobre os ganhos. "São melhorias, junto com outras iniciativas, relacionadas aos sistemas de produção, de automação dos processos, de padronizações e de introdução de novos produtos, que devem nos tornar mais competitivos para buscar participação de mercado, no momento de recuperação econômica", diz.

Segundo o executivo da Randon, a crise econômica incentivou esses tipos de iniciativa visando ganhos de produtividade, em meio à retração do mercado. "Continuamos investindo em inovação, para nos mantermos competitivos", acrescentou Trentin.

Torezan, da PPG, ressalta que diante da crise as empresas não encontram margem para repassar aumento de custos aos produtos finais, sob o risco de perda de participação de mercado. "Auxiliamos no desenvolvimento da tecnologia não só para o aumento da produção, mas também visando ganhos de produtividade", destaca ele.

Em relação aos investimentos destinados especificamente à evolução deste produto, a PPG não forneceu detalhes.

Embalagens

Outro nicho de atuação da PPG é o de embalagens, especialmente no revestimento metálico, destinado para latas de alumínio de cervejas, além de alimentos, cosméticos e farma. Especialmente neste segmento, Torezan destaca que o mercado de bebidas encontra-se estável, mas que, mesmo durante o pior momento da crise, acabou não registrando desaceleração, enquanto a área alimentícia segue com queda de demanda.

Na contramão, estão os segmentos de cosméticos e farmacêutico. "Esses mercados demandam muita inovação, com embalagens diferenciadas", justifica.

A PPG não abre os números consolidados no Brasil, mas Torezan estima que apenas a área de embalagens possa crescer entre 5% e 10% este ano. No segmento industrial, que passou por uma intensa retração nos últimos dois anos, a alta pode chegar a 35%, impulsionada por grandes clientes, como do agronegócio e automotivo, principalmente pela baixa base de comparação.

Rodrigo Petry

Assuntos relacionados:

tintas