Presidente da Assembleia Legislativa do RJ e filho ficam na mira da PF

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

SÃO PAULO - (Atualizada às 9h24) A Polícia Federal (PF) realiza operação nesta terça-feira no Rio de Janeiro com o objetivo apurar a existência de uma organização criminosa que atuava no setor de transportes públicos, com apoio de parlamentares da Assembleia Legislativa. Foram expedidos três mandados de prisão, um para o empresário Jacob Barata Filho, outro para Felipe Picciani, filho do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, e um terceiro para Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). Por sua vez, alvo de mandado de condução coercitiva, Jorge Picciani foi detido por agentes da Polícia Federal no aeroporto Santos Dumont e será levado para prestar depoimento na superintendência da PF no Rio de Janeiro. Os agentes o procuraram em sua casa, mas ele estava em viagem, com retorno marcado para esta terça-feira. Assim, foram para o aeroporto em busca do parlamentar, que é suspeito de receber propina da chamada "caixinha da Fetranspor". Também foram alvos de mandados de condução coercitiva o líder do governo na Alerj, o deputado Edson Albertassi (PMDB), indicado pelo governador Luiz Fernando Pezão para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), órgão auxiliar do Legislativo a quem cabe fiscalizar as contas do Executivo, e deputado Paulo Melo, que foi secretário de governo de Pezão. A Lava-Jato suspeita que a indicação de Albertassi tenha se tratado de tentativa de obstrução de Justiça. Caso fosse confirmado no cargo, ganharia privilégio de foro e só poderia ser investigado é processado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Segundo a PF, a investigação aponta a existência de clara atuação legislativa desses parlamentares em favor dos interesses da Fetranspor, indicando também grande evolução patrimonial dos envolvidos desde que ingressaram na atividade política; e incompatível com os rendimentos inerentes aos cargos ocupados. A Receita Federal participou das investigações. Conforme o detalhamento da PF, são investigados os crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Foram encontradas conexões entre as Operações Saqueador, Calicute, Eficiência, Quinto do Ouro e Ponto Final, deflagradas anteriormente. Mais de 150 policiais federais estão envolvidos na Operação Cadeia Velha no Rio, Saquarema, Volta Redonda e Uberaba/MG. São seis mandados de prisão preventiva, quatro de prisão temporária, quatro conduções coercitivas e 35 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região. Isso porque, durante as investigações, a PF e o Ministério Público Federal (MPF) identificaram elementos indicadores do envolvimento de autoridades detentoras de foro por prerrogativa de função no TRF. Em março, Jorge Picciani foi conduzido coercitivamente durante a Operação "O Quinto de Ouro", a partir de informações de um delator ligado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro, Jonas Lopes de Carvalho Filho, que levou à prisão de ex-integrantes do órgão acusados de corrupção.