Problemas se acumulam na UPA Morada do Ouro

Publicado em 07/12/2017 por A Gazeta - MT

São três da tarde e a desempregada Joelma dos Santos Cruz, 52 anos e moradora do bairro Centro América, ainda não almoçou e a dor no seu braço direito é lancinante. Impaciente, ela aguarda desde às 11h para ser atendida da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da Morada do Ouro.

João Vieira

Joelma relata que dor no braço é "dilacerante"

"Até agorinha eu tava chorando", desabafa dividida entre a vergonha e a revolta. "Aqui não tem nem bebedouro. Tô sem um centavo para compar nem que seja uma água", completa. "Sofri um acidente de carro 15 anos atrás. Já operei o ombro cinco vezes. Hoje levei um tombo e meu braço não para de doer".

A sala de espera da unidade de saúde está cheia. A babá Sandra Aparecida Silva segura em pé o neto de dois anos, enquando a filha Larissa Silva, 22 anos, sofre com uma dor renal crônica. Em silêncio, mãe, filha e neto aguardam por atendimento desde o meio-dia e meia. "Acho que ainda vamos ficar aqui por muito tempo", reclama.

O rol de queixas em relação à unidade hospitalar é grande. Há denúncias de corredores lotados, banheiros interditados por falta de manutenção e móveis em péssimo estado de conservação.

Um funcionário, que pede anonimato por receio de sofrer represálias, denuncia que há dias em que faltam materias básicos de atendimento. "Às vezes não tem gaze, algodão, roupa de cama. Faltam agulhas e até autoclaves para estirilização do equipamento dos dentistas. Aqui só tem três cadeiras de rodas. Se chega um quarto paciente, tem que ser carregado". Outro aspecto que gera preocupação entre os funcionários seria a falta de segurança. "De madrugada, não tem polícia e nem segurança", acusa.

Outro funcionário, que também opta por não revelar o nome, alega que não dá para manter um atendimento eficiente com uma equipe de trabalho reduzida. "Aqui temos uma emergência, chamada de sala vermelha, que tem seis leitos. Infelizmente não conseguimos dar conta da demanda e por isso tem gente morrendo".

A diretora da UPA, Thamara Ferreira Torres, segundo informações de servidores, estava em reunião na secretaria de Saúde. Michelly Arruda, diretora técnica, nega as denúncias. "Claro que temos pontos a serem melhorados, mas estamos fazendo um bom atendimento sim".

Segundo a gestora, a unidade recebe pacientes de todos os bairros de Cuiabá e até de Várzea Grande. "Vem todo mundo. Muita gente acaba optando por fazer na UPA um procedimento que poderia ser feito no posto de saúde do bairro onde mora".

Apesar de afirmar que não existem graves problemas estruturais na unidade de pronto atendimento, a diretora não autoriza a entrada da equipe de reportagem.