Produção global de alimentos está em risco, afirma relatório da ONU

Publicado em 10/08/2019 por G1 Jornal Nacional

Cientistas afirmam que a pecuária está aumentando o desmatamento e o gás metano emitido pelo gado é poluente.

Um relatório das Nações Unidas sobre mudanças climáticas fez um alerta: a produção mundial de alimentos está ameaçada. A escolha do que nós comemos no nosso dia a dia é parte do problema. E também da solução.
Mais de cem cientistas de 57 países concluíram que estamos usando recursos essenciais, como terra e água, de forma exagerada.
O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU afirma que as atividades humanas já ocupam mais de 70% de todo o solo livre de gelo do mundo e que um quarto dessa área já está degradada.
“Uma terra assim reduz a capacidade do solo de absorver carbono. Meio bilhão de pessoas já vivem em áreas que estão se tornando desertos”, afirma uma das autoras do relatório.
No Zimbábue, cinco milhões de pessoas correm o risco de passar fome. Num apelo lançado esta semana, a ONU alertou que a região enfrenta uma das piores secas da história.
Um terço de toda a comida produzida no mundo é jogada fora todos os anos, enquanto 820 milhões de pessoas estão desnutridas. Os pesquisadores dizem que é importante evitar desperdício, e usar a terra de forma eficiente e sustentável.
Segundo Valerie Delmotte, “a forma como produzimos alimentos contribui para a perda de ecossistemas e para o declínio da biodiversidade, o que afeta o clima.
É um ciclo. As mudanças climáticas extremas - aumento na temperatura, chuvas intensas - também impactam a produção de alimentos.
O estudo divulgado nesta quinta-feira (8) na Europa sugere que uma possível forma de combater esse processo é cada um pensar nas suas escolhas na hora de comer.
Os cientistas afirmam que a produção de carne é um dos métodos de produção que mais usam água e terra. A pecuária está aumentando o desmatamento e o gás metano emitido pelo gado é poluente.
O relatório indica que diminuir o consumo de carne nos países onde há alternativa permitiria que mais pessoas fossem alimentadas usando menos terra. Grãos, legumes, verduras e frutas completariam a dieta.
Mas o estudo deixa claro: ninguém precisa virar vegetariano. O objetivo é balancear a dieta pensando no bem de todos.