Responsabilidade é uma dura lição

Publicado em 13/10/2017 por DCI

13/10/2017 - 05h00

Responsabilidade é uma dura lição

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A duras penas e de forma muito gradual os formuladores de política econômica dos países da América Latina e Caribe estão aprendendo lições de responsabilidade fiscal. A constatação foi feita pelo escritório responsável pela região no Banco Mundial.

Segundo a entidade, no longo período entre os anos 60 e 2007, nada menos que 60% dos países trabalharam com políticas pró-cíclicas, que trouxeram resultados de curto prazo em épocas de abundância, mas ampliaram os riscos nos períodos de crise. Após 2008, a parcela das economias da região que mantiveram esse flerte com o perigo caiu para 42%.

O comportamento padrão, e os brasileiros o conhecem muito bem, é de aproveitar a bonança de períodos de fluxo intenso de capitais e de alta das commodities para elevar gastos públicos, enquanto se praticam renúncias e reduções nos impostos, além de uma baixa nas taxas de juros. Quando aparece uma crise que gera recessão, é feito um forte ajuste fiscal e os impostos e taxas voltam a subir com vigor, o que só reforça o processo recessivo.

O economista-chefe do Bird para a região, Carlos Végh, tentou nesta semana convencer os formuladores das políticas que devem adotar medidas mais anticíclicas, poupando em épocas mais positivas para garantir um crescimento sustentável e resiliente aos momentos de depressão. Com isso, seria possível até baixar impostos e juros para estimular a atividade em épocas de recessão.

Ainda que os desafios fiscais permaneçam, o Banco Mundial melhorou suas perspectivas de crescimento para América Latina e Caribe em 2017 e 2018. Após seis anos de desaceleração, as projeções são de evolução média de 1,2% neste ano e de 2,3% no ano que vem.

Para o Brasil, as apostas são de um comportamento um pouco pior no atual exercício (+0,7%) e de acompanhamento da média regional no seguinte. Poderia ser melhor, mas paga-se o preço dos erros do passado recente. O descontrole das contas públicas começou a ser combatido, mas há muito por fazer. Um reforma previdenciária tímida e uma turbulência política em 2018 já estão nos radares.

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