Saída de Datena consolida pré-candidaturas ao Senado

Publicado em 12/07/2018 por Valor Online

Saída de Datena consolida pré-candidaturas ao Senado

A desistência do apresentador José Luiz Datena (DEM) de concorrer ao Senado por São Paulo em 2018 redefiniu articulações partidárias e consolidou pré-candidaturas que aguardavam em compasso de espera. Tanto PT quanto PSDB, que chegaram a cogitar a possibilidade de ceder pelo menos uma das duas vagas em disputa para atrair aliados na chapa para o governo estadual, optaram por revisar a estratégia e agora pretendem preencher o espaço todo com candidatos próprios. O MDB também pode seguir o mesmo caminho pela chapa pura.

Antes da desistência de Datena, os tucanos tinham a expectativa de montar a "chapa dos sonhos", com o ex-prefeito João Doria como candidato ao Palácio dos Bandeirantes, o líder do DEM na Câmara, Rodrigo Garcia, como vice, e o apresentador e o empresário Paulo Skaf (MDB) nas vagas da coligação para o Senado. As negociações, no entanto, retornaram à estaca zero com saída de Datena do páreo e a insistência do emedebista, a despeito dos apelos do PSDB, em concorrer pela terceira vez consecutiva ao governo de São Paulo.

Diante do imbróglio com Datena, a campanha de Doria decidiu que não iria mais esperar por Skaf. Ontem mesmo anunciou que lançará uma chapa pura para senador, com os deputados federais Ricardo Trípoli e Mara Gabrilli. Filiados ao PSDB, ambos já tinham manifestado o interesse em concorrer ao cargo e esperavam por um aceno de Doria, enquanto tocavam as respectivas pré-campanhas de forma discreta. O recuo do apresentador e a indisposição do emedebista abriram caminho para os dois parlamentares, que concorrerão ao Senado pela primeira vez. Contribuiu também para o acordo a decisão de Cauê Macris, presidente da Assembleia Legislativa, em abrir mão da disputa.

A exemplo de Doria, Skaf também está cuidando pessoalmente, como postulante ao governo do Estado, da montagem da chapa do MDB ao Senado. A senadora Marta Suplicy, eleita em 2010 pelo PT, foi indicada pela sigla para tentar mais um mandato. A outra vaga ainda está indefinida e poderá ficar tanto com o partido quanto com um aliado, caso Skaf consiga atrair alguma legenda. Por ora, no entanto, o emedebista segue sozinho. A definição deve ocorrer às vésperas da convenção partidária, marcada para o dia 28 de julho.

Marta deve disputar uma cadeira no Senado contra seu ex-marido Eduardo Suplicy (PT), de quem manteve o sobrenome. Os dois políticos têm força na capital paulista e devem buscar um eleitorado com perfil semelhante. Marta foi prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 e Eduardo registrou em 2016 a maior votação para vereador de São Paulo desde 1988, com 301,4 mil votos. O presidente estadual do MDB, deputado Baleia Rossi, minimiza o embate entre os dois.

"Eles têm força política individual. Não vejo problemas. Não tem uma relação de divisão de forças", diz. "Marta abraçou a causa municipalista como senadora", diz, citando que os 86 prefeitos do MDB e os 83 vice-prefeitos do partido no Estado devem ajudar na pré-campanha da senadora.

Segundo a pesquisa mais recente do Ibope, realizada entre 23 e 26 de junho, Suplicy está numericamente à frente na disputa, com 29% das intenções de voto, seguido por Datena, com 23%, e Marta, com 22%. O levantamento tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Além de Suplicy, nome considerado certo no PT, a sigla deve lançar o ex-secretário de Transportes Jilmar Tatto na corrida eleitoral. O petista, inclusive, já tem rodado o Estado na companhia de Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e pré-candidato do partido ao governo paulista. Tatto, porém, diz que pode eventualmente mudar de ideia se for do interesse de Marinho oferecer a vaga para um partido aliado que tenha interesse em reivindicar a indicação, como PCdoB ou PDT. Nada aponta, contudo, neste rumo.

Na chapa do governador e pré-candidato à reeleição, Márcio França (PSB), o vereador Mário Covas Neto, o Zuzinha, filiado ao Podemos, já foi definido como pré-candidato ao Senado. A outra vaga ainda está em negociação, mas é pleiteada pelo deputado Alex Manente (PPS). Filho do ex-governador Mário Covas, Zuzinha comemorou o resultado do Ibope, no qual aparece em quarto lugar, com 14% das preferências.

"Tenho um sobrenome forte, mas ainda não sou muito conhecido. Meus adversários são figuras conhecidas", diz. "Tenho chance de me tornar uma alternativa. A coligação me dará boa exposição no rádio e na televisão", afirma.

Zuzinha foi sondado para participar da chapa de Skaf, mas diz que só mudaria de pré-candidato em São Paulo se o MDB apoiar o presidenciável de seu partido, senador Alvaro Dias (Pode). "Só há sentido de mudar se tiver um projeto maior envolvido. Mas eu já estou na chapa do França e meu desejo é disputar o Senado", afirma. O Podemos deve sacramentar o apoio no dia 22, em convenção.

O PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro (RJ), não definiu se terá candidato próprio ao governo estadual. Uma das vagas de senador, contudo, será do deputado federal Major Olímpio, com 10% de intenção de voto. A outra seria da apresentadora Joyce Hasselmann (PSL), mas ela desgastou-se dentro da legenda depois de se lançar para o Palácio dos Bandeirantes, contrariando a direção estadual, comanda por Olímpio.