Sobrevivente do clã Sarney na política é adepto do lulismo

Publicado em 11/10/2018 por Valor Online

Sobrevivente do clã Sarney na política é adepto do lulismo

Dizimado pelos eleitores do Maranhão, o clã Sarney - composto pelas famílias Sarney, Lobão e Murad - ganhou uma sobrevida com a reeleição de Adriano Sarney como deputado estadual. Com o resultado, o neto de Sarney ficará encarregado de garantir que o grupo comandado pelo ex-presidente continue tendo influência no cenário estadual até a próxima disputa.

Adriano compartilhou com interlocutores o diagnóstico de que a onda por renovação - que, em sua avaliação, vem prevalecendo no estado desde 2014 - atropelou as pretensões eleitorais de sua tia Roseana Sarney (MDB), que foi derrotada pelo governador Flávio Dino no primeiro turno, e de seu pai, o ex-ministro Sarney Filho (PV), que não conseguiu garantir uma das cadeiras do Senado, sendo derrotado por Eliziane Gama (PPS) e Weverton Rocha (PDT), ambos aliados do governador reeleito.

Aliados atribuíram o feito alcançado pelo neto de Sarney ao fato de ele ter sido o único do grupo que não tentou emplacar com um discurso contrário a Dino, reeleito ao governo maranhense no primeiro turno com apoio de quase 60% do eleitorado. O trato pacífico com o desafeto do clã abre espaço para questionamentos sobre sua capacidade de sustentar a bandeira e o poder de influência do grupo nos próximos anos.

Além de Roseana e Sarney Filho, o senador Edison Lobão (MDB), que era candidato à reeleição em busca do quinto mandato na Casa, também foi derrotado nas urnas. O apoio ao impeachment de Dilma Rousseff em 2016 comprometeu as chances do grupo em um Estado em que Luiz Inácio Lula da Silva mantém grande prestígio.

Durante a campanha, Roseana deu diversas declarações em apoio à liberdade de Lula e ao direito do petista de ser candidato ao Planalto. Os integrantes do grupo, porém, reconheceram que a iniciativa não surtiu efeito. "Já era tarde, porque o nosso apoio ao impeachment nos afastou dos eleitores fiéis de Lula. Acenar em nome de sua liberdade não faria com que o apoio desses eleitores retornassem ao nosso grupo", disse um dos integrantes do clã após o resultado negativo nas urnas.

Para remontar o poder do grupo, os primeiros passos devem ser dados justamente em direção ao PT, de Lula. Um eventual apoio à candidatura de Fernando Haddad à Presidência da República é considerada fundamental para que o clã ganhe fôlego em eleições futuras. Integrantes do grupo reconhecem que é hora de deixar o orgulho de lado e se juntar a Dino nessa empreitada contra Bolsonaro.

Com esse primeiro movimento, eles acreditam que parte do eleitorado lulista poderá ensaiar um flerte com o clã Sarney e, no longo prazo, migrar seu apoio aos sarneyzistas. Até lá, porém, Adriano Sarney terá que levar o grupo nas costas. A postura mais contida dele, porém, não agrada a muitos aliados.

As cobranças para que ele tenha mais firmeza em seu segundo mandato na Assembleia Legislativa do Maranhão já começaram a chegar. Para aliados, esse é o único caminho para que a sobrevivência do clã ultrapasse 2022. Se optar por manter o comportamento mais sóbrio, integrantes do grupo opinam que Adriano ficará longe de conquistar a mesma envergadura do prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, que conseguiu dar novo fôlego a família Magalhães na Bahia.