Trabalho justo e em união: cooperativa em JP reúne quase 40 empreendedores na economia solidária

Publicado em 13/02/2018 por Jornal da Paraíba

Trabalho justo e em união: cooperativa em JP reúne quase 40 empreendedores na economia solidária

Produtores de artesanato, materiais reciclados e agricultura familiar se reúnem em loja no Varadouro vendendo seus produtos a preços justos.




Preços justos, que respeitam as questões sociais e ambientais, além de incentivar uma produção responsável e o consumo ético - o que parece ser uma utopia, em tempos de concorrência acirrada, são alguns dos princípios da Economia Solidária, um movimento internacional que vem ganhando cada vez mais adeptos, inclusive, na Paraíba. No estado, a Cooperativa Paraibana de Empreendimentos Econômicos Solidário, a EcoSol - Paraíba, reúne cerca de 40 artesãos que expõem seus produtos em uma loja localizada no bairro do Varadouro, em João Pessoa.

A casa comercializa produtos de artesãos de três segmentos da Paraíba: artesanato, agricultura familiar e a reciclagem de materiais. Atualmente,

Casas de bonecas feitas com caixas de leite expostas na Ecosol. (Crédito: Divulgação)

associações de toda parte do estado expõem seus produtos na cooperativa: há grupos de Pombal, Patos, Sapé, Campina Grande, João Pessoa e Cabaceiras. A loja foi inaugurada em agosto de 2017 e passou a funcionar no mês de setembro do mesmo ano. Hoje, conta também com duas feiras agroecológicas que acontecem às quartas e às sextas-feiras, semanalmente. "O pré-requisito que nós temos é que sejam produtos comercializados de forma justa", pontua Vânia Braga, gerente administrativa da Ecosol.

Ela, que já trabalhava há cerca de dez anos com o artesanato, produzindo bonecas de pano, vê a cooperativa como uma maneira de dar novas esperanças ao artesão: "A economia solidária vem batalhando desde 2006 aqui na Paraíba. E o que nós vemos é que, muitas vezes, o artesão não consegue sequer participar de certas feiras, alguns eventos, porque não tem um CNPJ. Agora, com a Ecosol, muito artesão, muito agricultor, pode vender seus produtos para escolas, hospitais, porque através da Ecosol ele consegue participar de editais", explica Vânia.

O Centro Público EcoParaíba homenageia Pedro Belarmino, conhecido como Pedão, paraibano que se destacou pela atuação junto aos movimentos sindicais e associações agrícolas. À época da inauguração, foi lançado um edital de chamada pública para selecionar empreendimentos de economia solidária em todo o estado. Hoje, são 37 empreendedores reunidos no local.

Negócio justo e sustentável pode, sim, dar dinheiro 

A artesã Lúcia Lima faz parte de uma associação só de mulheres que expõe seus produtos na Ecosol: a Unilins. Segundo ela, a associação fez com que ela conquistasse uma independência nunca antes sonhada. Ela, que antes trabalhava como dona de casa, há cerca de quatro anos conheceu o projeto "Bem da gente", da Energisa, um projeto de geração de renda que capacita novos empreendedores, através de cursos e orientações, e realizou o mapeamento do bairro do Muçumagro, em João Pessoa, percebendo que as mulheres do bairro tinham vocação para o artesanato. Foi por meio do projeto que teve início a associação.

Eco bag produzida com retalhos pela Unilins. (Crédito: Divulgação)

"Nós passamos cerca de seis meses só fazendo reuniões, e foi aí que entramos num acordo de que começaríamos trabalhando com retalhos de tecidos de sofá, para fazer nosso artesanato", afirma Lúcia. Pouco tempo depois, o grupo recebeu a parceria da marca de roupas Dudalina, que passou a enviar kits de retalhos para a associação, por meio de um projeto de geração de renda da marca. "A gente juntou um dinheiro e colocou pra frente. Quando não é por meio dos kits da Dudalina, é através do nosso próprio material", conta Lúcia, acrescentando, ainda, que as peças feitas por elas são praticamente exclusivas: dificilmente uma será igual à outra, já que são vário retalhos coloridos.

Hoje, a Unilins conta com uma linha de aventais, de luvas e eco bags. Além de exporem os produtos na Ecosol, eles recebem também algumas encomendas para eventos - já chegaram a receber um pedido de duas mil sacolas. O trabalho teve que ser intensificado, o que não foi problema, já que força de vontade não é artigo em falta para essas mulheres, quando o resultado é a própria independência. "Agora, eu posso juntar meu dinheiro, ajudar em algumas contas em casa, e também, se eu quiser comprar alguma coisa pra mim, um celular, por exemplo, compro com meu próprio dinheiro", fala, orgulhosa.

Cooperativa também é maneira de empoderar mulheres 

Já a artesã Joana Santos hoje atua como presidente da Associação das Mulheres Água de Pedras de Fogo, município que fica a 42 km da capital paraibana. A associação teve início há cerca de um ano, mas as mulheres que fazem parte dela já se reuniam desde 2014. Joana, que é funcionária pública municipal, atua na liderança do grupo e, segundo ela, além de ser uma forma de estímulo à renda, o grupo também auxilia no empoderamento feminino. "É bom porque a gente fica junto, conversa, se encontra. É uma forma de as próprias mulheres ajudarem umas as outras", coloca. A associação trabalha com o reaproveitamento de banners e de caixas de leite, além de outros materiais, na confecção de necessaires, cintos e outros produtos. Agora, com a Ecosol, é possível que essas mulheres exponham seus produtos e façam crescer ainda mais seus negócios. "Antes, nós só vendíamos nossos produtos em alguma feira, quando tinha algum evento. Agora, com a Ecosol, nós temos um local para expor de forma permanente", explica Joana.